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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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OBSTRUÇÃO URETERAL: COMPLICAÇÃO PÓS-CORRECÇÃO ENDOSCÓPICA DE REFLUXO VÉSICO-URETERAL NA CRIANÇA

Maria Knoblich1, Aline Vaz Silva1, Vanda Pratas Vital1, Dinorah Cardoso2, Fátima Alves2, Filipe Catela Mota2, Paolo Casella1.

1 - Cirurgia Pediátrica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, E.P.E.;
2 - Unidade de Urologia Pediátrica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, E.P.E.

- 5º Congresso Da Sociedade Portuguesa De Cirurgia Minimamente Invasiva, Congresso Anual da Sociedade de Cirurgia Pediátrica (Comunicação livre).

Introdução: A correcção endoscópica (CE) do Refluxo Vesico Ureteral (RVU) é uma alternativa à quimioprofilaxia prolongada e ao reimplante ureteral (RU) Têm sido utilizadas várias substâncias, entre as quais Macroplastique® e Deflux®. As maiores vantagens são: procedimento de curta duração em ambulatório, uso mínimo de analgesia e ausência de cicatriz operatória, para além de estar associado a bons resultados, especialmente nos RVU de baixo grau, e complicações mínimas. A possibilidade de reintervenção quer com nova injecção, quer por RU é uma vantagem. A obstrução ureteral (OU) ocorre em menos de 1% dos casos, no entanto é a complicação mais grave.

Objectivo: Análise retrospectiva dos doentes com OU como complicação de CE de RVU entre Novembro 2004 a Março 2012.

Material e Método: Análise dos processos clínicos considerando a idade, sexo, grau e lateralidade do RVU, volume e material injectado, apresentação clínica, terapêutica instituída e evolução.

Resultados: Do total de 6 doentes (11 unidades renais UR), 6 UR eram do sexo feminino e 3 UR do sexo masculino, entre 1 e 6 anos de idade. Foi injectado Deflux® em 4UR e Macroplastique® em 5UR entre 0,5 a 1,2 ml. 2 doentes apresentaram quadro de cólica renal acompanhado de ureterohidronefrose com necessidade de intervenção nas primeiras 48h, nos restantes a apresentação clínica foi insidiosa. Em 3 houve degradação da função renal. O diagnóstico foi feito através de ecografia renal e vesical. Do total, 3 foram submetidos a RU unilateral, 1 com colocação temporária de stent ureteral (SU) bilateral, outro com colocação de SU unilateral, 1 caso com terapêutica médica exclusiva.

Conclusão: Apesar de não existir consenso quanto ao material ideal para CE do RVU, este é considerado o procedimento de primeira linha, por ser eficaz e seguro.
Embora a OU seja uma complicação rara deve ser sempre considerada tal como o seguimento ecográfico a longo prazo. A colocação temporária de SU é eficaz e pode nalguns casos ser terapêutica.

Palavras-chave: Obstrução ureteral; Refluxo vesico-ureteral.