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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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HERPES ZOSTER EM IDADE PEDIÁTRICA - CASUÍSTICA DE 10 ANOS

Carlota Veiga de Macedo, Tiago Milheiro Silva, Catarina Gouveia, Flora Candeias, Maria João Brito

Unidade de Infecciologia, Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central

- 11as Jornadas de Atualização em Doenças Infeciosas do Hospital Curry Cabral - 24 a 26 Janeiro de 2018

Introdução: O herpes zoster (HZ) resulta da reactivação do vírus herpes varicella-zoster latente na raiz dorsal dos gânglios sensoriais ou dos nervos cranianos após um primeiro episódio de infecção disseminada.
Objetivo Caracterizar os casos de HZ, com necessidade de internamento, num hospital pediátrico terciário num período de 10 anos.
Metodologia: Análise retrospetiva dos processos de doentes (idade <18 anos) com infecção por HZ, entre Janeiro de 2006 e Dezembro de 2016. Analisados dados sociodemográficos, epidemiológicos e clínicos. O teste estatístico utilizado foi o qui-quadrado e as diferenças foram consideradas significativas sempre que o p<0,05.
Resultados: Identificados 24 doentes, 13 (54,5%) do sexo feminino e uma mediana de idade de 6,5 anos (min 6 meses, máx 16 anos). Em 14 (58,3%) doentes foi identificada imunossupressão: quimioterapia (65,3%), corticoterapia (21,4%) e imunodeficiência primária (14,3%). Seis doentes tiveram varicela antes dos 12 meses de idade e em dois não havia história de varicela previa. A clínica cursou com exantema em todos os casos, dor (66,7%), prurido (41,7%) e febre (33,3%). A área mais afectada foi o tórax (50%) e a segunda mais atingida, a face (29,2%). Registaram-se complicações em 9 das crianças: impetigo (5); celulite (3) e meningite (1).As complicações foram mais frequentes nas crianças sem factores de risco (25% vs 12,5%, p=0,054) e quando a área atingida era a face (66,6% vs 33,3% p< 0,05). Foi instituído aciclovir EV em 95,8% das crianças, sendo o início da terapêutica mais precoce nos doentes com factores de risco (1 vs 3 mediana de dias). A média de internamento foi 7 dias. A duração total da terapêutica foi de 10 dias com aciclovir/valaciclovir oral em ambulatório. A evolução foi favorável em todos os casos. Cinco crianças sem factores de risco foram avaliadas posteriormente em consulta para excluir déficit de imunidade.
Conclusões: As complicações foram mais frequentes na região da face e nas crianças sem factores de risco provavelmente nestas por atraso de início da terapêutica antiviral. No lactente, a exclusão de imunodeficiência não é obrigatória após um primeiro episódio de HZ. A ausência de história de varicela previa explica-se pela existência de uma varicela subclínica que pode ocorrer na gravidez pela transmissão de anticorpos maternos transferidos passivamente para o feto.

Palavras Chave: Herpes-zoster, imunossupressão