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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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FENTANILO INTRANASAL NA CRISE VASO-OCLUSIVA EM CRIANÇAS COM DOENÇA DE CÉLULAS FALCIFORMES – EXPERIÊNCIA NO SU DE UM HOSPITAL DE NÍVEL III

Rui Domingues1, Ana Margarida Garcia1, Marisa Oliveira1, Tânia Serrão2, Sara Batalha1, Paula Kjollerstrom1, António Marques2

1 - Unidade de Hematologia Pediátrica, Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa;
2 - Equipa Fixa de Urgência, Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa.

- Reunião Multidisciplinar da Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central

Resumo:
A crise vaso-oclusiva (CVO) é a complicação mais comum da doença de células falciformes (DCF) e o principal motivo de observação no serviço de urgência (SU). O controlo precoce da dor está associado a um melhor prognóstico, no entanto a primeira dose de analgesia é, com frequência, administrada tardiamente. O fentanilo por via intranasal (IN) tem-se revelado muito eficaz pelo que foi criado, em 2016, um protocolo para a sua utilização no SU do HDE. Apresenta-se um estudo retrospetivo dos doentes com DCF que recorreram ao SU do Hospital Dona Estefânia entre 1 de Janeiro de 2017 e 28 de Fevereiro de 2018, por CVO. O estudo foi realizado com o objetivo de conhecer a frequência dos episódios de dor que motivaram observação médica, eficácia da terapêutica e evolução clínica de crianças com DCF e o impacto da administração do fentanilo intranasal na CVO moderada/grave, no SU do HDE. Foram identificados 65 episódios de CVO com predomínio do sexo masculino e uma mediana de idades de 11 anos. Cerca de 2/3 das CVO foram multifocais e um terço dos doentes apresentavam outros sintomas (ex. febre e vómitos). Do total de CVO, 29 (44,6%) efetuaram fentanilo IN e destes, cerca de metade necessitou de uma 2ª dose aos 10 minutos. A administração de fentanilo intranasal é simples, rápida e acessível em ambiente de urgência hospitalar. O estudo revelou que foi muito eficaz e que permitiu diminuir o tempo entre a admissão e o início da terapêutica analgésica no SU. Adicionalmente, facilita a colocação de acesso venoso para terapêutica analgésica adicional. Verificámos que a sua utilização foi inferior ao esperado, pelo que a sensibilização e formação contínua dos profissionais de saúde é imprescindível na criação, implementação e validação de algoritmos para abordagem da CVO neste grupo de doentes.