imagem top

2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

CHULC LOGOlogo HDElogo anuario

FEBRE DE ORIGEM DESCONHECIDA E ADENOPATIA. DIAGNÓSTICO FÁCIL?

Joana Simões1,Eugénia Soares2, Maria João Brito1

1 - Unidade de Infecciologia, Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar e Universitário Lisboa Central, Lisboa, Portugal
2 - Serviço de Radiologia, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar e Universitário Lisboa Central, Lisboa, Portugal

- Publicação em versão integral (artigo de imagem)

Resumo: Rapaz de 9 anos, admitido por febre com quatro semanas de evolução. Os únicos achados no exame físico eram três gânglios submandibulares, o maior submentoniano,de caráter sólido, hipoecogénico com alguma heterogeneidade, medindo 15,3 mm de maior diâmetro. Apresentava leucocitose (13,9 x 109 células/L),monocitose (1,61 x 109 células/L) e trombocitose (492x 109 células/L), proteína C reativa 114 mg/L e velocidade de sedimentação 10 mm/h. O ecocardiograma revelou pequena dilatação aneurismática da coronária esquerda, tendo realizado imunoglobulina (Ig) endovenosa e ácido acetilsalicílico sem melhoria clínica. A investigação de novo revelou ecografia abdominal com imagens hipoecogénicas hepatosplénicas e adenopatias hilares hepáticas e mesentéricas (Fig. 1), pelo que realizou tomografia computorizada abdomino-pélvica contrastada e ressonância magnética que identificaram múltiplos nódulos hepáticos e esplénicos interpretados como hemangiomas, sendo colocada a hipótese de hemangiomatose (Figs. 2 e 3). Para esclarecimento da situação foi submetido a biópsia excisional de nódulo hepático e biópsia de gânglio hepato-duodenal, quem acroscopicamente aparentavam conteúdo purulento. O estudo anatomo-patológico revelou abcessos hepáticose hiperplasia folicular granulomatosa com pesquisa de Bartonellaspp por reação em cadeia da polimerase positiva em todas as amostras. Posteriormente confirmaram-se serologias positivas para Bartonellaspp(Ig M 1:32 e Ig G 1:128) com aumento dos títulos (IgM 1:64 e Ig G ≥ 1:8192) após quatro semanas. Feito o diagnóstico de bartonelose hepatosplénica e ganglionar,foi medicado com rifampicina e ciprofloxacina durante seis semanas com evolução clínica, laboratorial e imagiológicapara a cura. Após o diagnóstico foi identificada história de contacto com um gato jovem, nunca valorizada antes pela família. O diagnóstico de bartonelose foi também confirmado pela pesquisa positiva no animal de estimação. A alteração cardíaca encontrada inicialmente no decurso da investigação manteve as mesmas características ao longo do tempo, sendo assumida pela Cardiologia como um achado prévio e constitucional do doente.

Palavras Chave: Criança; Doença da Arranhadura de Gato; Febre de Causa Desconhecida/diagnóstico; Infeções por Bartonella; Linfadenopatia/diagnóstico