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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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NUTRIÇÃO NO RECÉM-NASCIDO PRÉ-TERMO. NUTRITION IN THE PRETERM INFANT

Luis Pereira Silva. E-mail: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE.

- Sessão de formação conjunta de ciclos de estudos especiais de neonatologia do Hospital Dr. Fernando Fonseca e do Hospital Garcia de Orta. Amadora, 2/2/2012.
- Sessão de formação no Curso Avançado de Nutrição Pediátrica para Internos de Pediatria, organizado pela Nestlé Nutrition Institute, 3ª edição, Torres Vedras, 2/6/2012.

A nutrição agressiva no recém-nascido pré-termo tem sido cada vez prática corrente, procurando minimizar a restrição de crescimento pós-natal, a osteopénia e, sobretudo, a má-nutrição cerebral. O principal risco de promover uma recuperação rápida do peso em crianças nascidas com muito baixo peso (<1500g) e/ou com restrição de crescimento intrauterino é predispor à obesidade e síndrome metabólica tardia. Perante o dilema, os clínicos têm optado por não comprometer a nutrição cerebral e o neurodesenvolvimento.
No recém-nascido de muito baixo peso, a nutrição parentérica (NP) deve ser iniciada logo após o nascimento. Está comprovado que o início precoce de dose elevada de aminoácidos se associa a melhor neurodesenvolvimento e crescimento somático. Foram recentemente concebidas emulsões lipídicas endovenosas mais equilibradas em ácidos gordos essenciais e anti-oxidantes, reduzindo o risco de colestase associada à NP. A utilização de fosfatos orgânicos melhora a compatibilidade entre Ca e P, permitindo providenciar doses parentéricas mais elevadas e adequadas desses minerais. As elevadas concentrações de nutrientes recomendadas elevam sobremaneira a osmolaridade das soluções de NP, requerendo a sua administração por cateter central.
Em simultâneo com o início da NP, deve ser iniciada a nutrição trófica (não nutritiva), no sentido de promover a maturação da actividade motora e a secreção de péptidos reguladores e hormonas e, assim, induzir a tolerância entérica mais rápida e o melhor crescimento. A administração da nutrição entérica em débito contínuo pode melhorar a tolerância, mas aumenta o risco de não homogenização do leite humano, retenção de lípidos no sistema e contaminação. A administração em bólus requer menos equipamento, é mais fisiológica, mas associa-se mais frequentemente a resíduo gástrico por motilidade paradoxal do duodeno. É recomendado que o aumento diário de volume entérico não exceda 20 ml/Kg. Por todas as vantagens, deve preferir-se o leite humano (LH). Durante as primeiras semanas após o nascimento, o LH pré-termo tem maior concentração de proteína, sódio e cloro, mas posteriormente pode ficar deficitário nestes nutrientes, minerais e vitaminas. Por isso, a partir dessa altura recomenda-se a fortificação do LH, para prevenir a restrição de crescimento, a osteopénia e a anemia. Na indisponibilidade de LH, existem disponíveis fórmulas para pré-termo que têm maior densidade energética, proteica, LC-PUFAs, cálcio, fósforo, sódio e vitaminas. Após a alta, deve promover-se a amamentação, ou quando esta se mostra insuficiente, recorrer a fórmulas enriquecidas em energia e nutrientes, próprias para após a alta de crianças prematuras até estas atingirem o peso e idade de termo corrigida.

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