imagem top

2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

CHULC LOGOlogo HDElogo anuario

ENTEROBACTERIACEAS PRODUTORAS DE Β-LACTAMASES DE ESPECTRO ALARGADO EM IDADE PEDIÁTRICA: FATORES DE RISCO PARA INFEÇÃO RECORRENTE

Sofia Bota1, Catarina Gouveia2,3, Joana Martins1, Catarina Diamantino1,3, Luís Varandas2,3,4

1 - Equipa Fixa do Serviço de Urgência Pediátrica, Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa
2 - Unidade de Infecciologia Pediátrica, Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa
3 - NOVA Medical School, UniversidadeNova de Lisboa, Lisboa,
4 - Grupo de Coordenação Local – Programade Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos. Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central, Lisboa.

- Publicação em versão integral, RPDI Vol. 14, N.º 2

Resumo:
Introdução: A incidência de infeções por Enterobacteriaceas produtoras deβ-lactamases de espectro alargado (ESBL-PE) tem aumentado, tanto associadasaos cuidados de saúde (IACS) como à comunidade.
Objetivos: caracterizar eidentificar fatores de risco clínico para infeção recorrente por ESBL-PE.
Métodos: Estudo retrospetivo descritivo analítico de infeções por ESBL-PE emcrianças (<18 anos) sintomáticas observadas no Serviço de Urgência de umhospital nível III, entre 2013 e 2016 (4 anos). Foi também avaliada a antibioterapia efactores de risco para a recorrência.
Resultados: Obtiveram-se 65 isolamentos. Incluíram-se 41 infeções (40 infeçõesdo trato urinário – ITU – e uma urosépsis) de 28 doentes (idade mediana 3 anos[1 mês – 17 anos]). Em 25%, não havia antecedentes de ITU recorrente nem depatologia malformativa. Não houve diferença significativa entre IACS e infeçõesda comunidade. A exposição prévia a ESBL-PE não foi mais frequente nas IACS(65% vs. 53%, p=0.53). Escherichiacoli foi o agente mais frequente (68%). Não seobservou resistência a carbapenemes e 85% eram sensíveis à nitrofurantoína. Em66%, a antibioterapia empírica foi inadequada.Nove doentes (32%), tiveram recorrência e o cateterismo vesical intermitentemostrou ser fator de risco independente (p=0.029; R2 0.42).
Conclusões: As estirpes ESBL-PE têm emergido na comunidade pediátrica, sendofrequente a antibioterapia inadequada. É fundamental determinar fatores de risco para evitar a recorrência.

Palavras Chave: ESBL, cateterismo vesical, infeção urinária