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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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ECTOPIA URETERAL: COMO COMPREENDER A EMBRIOLOGIA?

Ema Santos1,3, Sofia Morão2, Dinorah Cardoso2, Aline Vaz da Silva2, Vanda Pratas Vital2, Fátima Alves2, João Pascoal1

1 - Serviço de Cirurgia Pediátrica, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central
2 - Unidade de Urologia Pediátrica, Serviço de Cirurgia Pediátrica, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central
3 - Serviço de Cirurgia Pediátrica, Hospital Central do Funchal

- Apresentação de Poster- XXXV Congresso Brasileiro de Cirurgia Pediátrica, VI Congresso Brasileiro de Cirurgia Pediátrica Videoassistida, XXI Congresso Brasileiro de Urologia Pediátrica, 5-9 Novembro 2018, Foz do Iguaçu – Paraná, Brasil

Resumo:
Introdução: A duplicidade pielocalicial é a anomalia do trato urinário superior mais comum, com uma incidência de 1/125 nados vivos. É mais frequente no sexo feminino, sem predomínio da lateralidade, sendo bilateral em 20% dos casos. A maioria dos sistemas duplicados está associada a hidronefrose e refluxo vesicoureteral (RVU), com consequente aumento da incidência de infecção do trato urinário e displasia renal. O uretero ectópico caracteriza-se por uretero cuja inserção é fora do trígono vesical. É uma patologia rara com uma incidência de 1/2000 nados vivos, sendo mais frequente no sexo feminino. Em 20% dos casos é bilateral e em 80% está associado a duplicidade pielocalicial, mais frequentemente do pielão superior.
Caso clínico: Adolescente de 17 anos, sexo feminino, evacuada da Guiné-Bissau por incontinência urinária desde infância, sem referência a infecções urinárias. Ao exame objetivo apresentava vulva de aparência normal com gotejamento contínuo de urina por orifício no septo urogenital. Dos exames complementares realizados destaca-se: ecografia das vias urinárias com parênquima renal mantido bilateralmente, duplicidade pieloureteral esquerda, sem dilatação das cavidades excretoras pielocaliciais ou ureterais e uretero ectópico anteriormente à vagina. Uretrocistografia miccional sem refluxo vesicoureteral. Ressonância magnética do aparelho urinário revelou duplicidade pieloureteral bilateral, com uretero ectópico direito, drenando o pielão superior direito, terminando na vagina. Pielografia retrógrada por cateterização do orifício ureteral ectópico vaginal confirmou drenagem do pielão superior direito. Submetida a reimplantação dos ureteros direitos. Ecografia das vias urinárias, aos 3 meses pós-operatório, sem alterações.
Conclusão: Em sistemas duplicados bilateralmente com um uretero ectópico, o diagnóstico e lateralização da ectopia pode se tornar um desafio. A ectopia ureteral está frequentemente associada a um pielão superior displásico e pouco funcionante. Em raros casos, como o exposto, não existe ectasia do sistema excretor, nem alterações na função renal, com normal diferenciação corticomedular e espessura parenquimatosa de ambos os rins. Este caso nos faz pensar que a lesão do parênquima renal correspondente ao uretero ectópico pode ser decorrente não de uma indução ineficiente do blastema metanefrogénico por um broto ureteral ectópico, mas sim por obstrução ou refluxo associado a esta anomalia.

Palavras Chave: incontinência urinária; uretero ectópico vaginal; reimplantação ureteral