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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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DIVERTÍCULO PRIMÁRIO DA BEXIGA: RESSEÇÃO MINIMAMENTE INVASIVA EM CRIANÇA DE 2 ANOS

Ema Santos1,3, Vanda Pratas Vital2, Aline Vaz da Silva2, Dinorah Cardoso2, Fátima Alves2, João Pascoal 1

1 - Serviço de Cirurgia Pediátrica, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central
2 - Unidade de Urologia Pediátrica, Serviço de Cirurgia Pediátrica, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central
3 - Serviço de Cirurgia Pediátrica, Hospital Central do Funchal

- Apresentação sob a forma de Vídeo - 11.º Congresso da SPCMIN – Sociedade Portuguesa de Cirurgia Minimamente Invasiva, 12-13 Outubro 2018, Guimarães
- Apresentação sob a forma de Comunicação oral - XXXV Congresso Brasileiro de Cirurgia Pediátrica, VI Congresso Brasileiro de Cirurgia Pediátrica Videoassistida, XXI Congresso Brasileiro de Urologia Pediátrica, 5-9 Novembro 2018, Foz do Iguaçu – Paraná, Brasil

Resumo:
INTRODUÇÃO: O divertículo primário da bexiga é uma malformação rara do trato urinário caraterizado pela protusão da mucosa vesical através de um defeito no detrusor. A maioria localiza-se junto à entrada do uretero na bexiga – divertículo periureteral, ou próximo ao óstio ureteral – divertículo paraureteral. São geralmente assintomáticos e descobertos incidentalmente, mas podem se apresentar como infeção do trato urinário (ITU) sintomática, enurese ou retenção urinária aguda. Podem estar associados a refluxo vesicoureteral (RVU). O diagnóstico é realizado pela uretrocistografia miccional retrógrada (UCMR). A excisão cirúrgica está reservada para divertículos superiores a 3 cm ou associados a disfunção vesical, formação de cálculos, ITU recorrentes ou RVU.
CASO CLÍNICO: Criança de 2 anos, sexo masculino, com antecedentes de dois internamentos por ITU febril no período neonatal. Iniciou trimetoprim profilático após segunda ITU. Enviado, aos 20 meses de idade, à consulta de Urologia Pediátrica com referência a mais 2 episódios de ITU sintomática. Ecografias seriadas das vias urinárias revelam divertículo vesical na parede lateral direita, com 17 x 9 mm e colo de 2 mm. A UCMR confirma divertículo vesical em localização postero-lateral direita, em topografia do uretero direito, sem RVU associado, mas com moderado resíduo pós-miccional. Proposto para excisão cirúrgica do divertículo por via laparoscópica. Procedeu-se a cistoscopia intra-operatória com identificação do divertículo acima do óstio ureteral direito, cateterização do uretero ipsilateral e algaliação. Submetido a diverticulectomia vesical por via laparoscópica com laqueação dupla do colo diverticular e encerramento do plano muscular da bexiga e do peritoneu. Pós-operatório decorreu sem intercorrências tendo alta em D5 pós-operatório após remoção da algália. Ecografia vesical de controlo, aos 3 meses pós-operatório, sem imagens diverticulares.
CONCLUSÃO: A excisão dos divertículos vesicais pode ser realizada intravesical ou extravesical por via aberta, endoscópica ou laparoscópica. A realização da técnica por via laparoscópica é segura, permitindo não só reduzir a taxa de complicações associadas à diverticulectomia, assim como reduzir o tempo de internamento e obter melhores resultados estéticos e conforto pós-operatório.

Palavras Chave: Divertículo primário da bexiga; resseção minimamente invasiva