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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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COMPULSÃO ALIMENTAR, UMA ADIÇÃO

Rita Amaro1, Sofia Vaz Pinto1, Inês Oliveira1

1 – Psiquiatria da Infância e Adolescência, Área da Mulher e da Criança, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa

- Congresso das Adições, Fundação Barragem e Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar

Resumo:
Introdução: A compulsão alimentar caracteriza-se pela ocorrência de episódios de ingestão de grandes quantidades de comida, com falta de controlo sobre a alimentação e que se associa a um mal-estar clinicamente significativo. Evidenciaram-se semelhanças entre o consumo alimentar e o uso de drogas psicoactivas: têm efeito, nos mesmos receptores, tendo-se verificado que as estruturas cognitivo-motivacionais são partilhadas. Podemos assim encarar os alimentos como uma possível substância aditiva.
Objetivos: Pretende-se fazer uma revisão da literatura acerca da compulsão alimentar, sua psicogénese com base em teorias psicodinâmicas e de que forma esta poderá ser encarada como uma adição propondo assim uma reflexão acerca desta temática tão presente na prática clínica atual.
Metodologia: Foi realizada uma revisão seletiva da literatura no PubMed e B-On com as palavras “Compulsive Eating”, “Binge Eating”, “Food Compulsions”, “Adiction Food”.
Resultados: Sabe-se que o tipo de vinculação tem impacto no desenvolvimento das estruturas cerebrais e química cerebral, ligadas ao processamento das emoções. É estabelecida uma forte ligação entre alimentação e a relação primária mãe-bebé. Freud distingue fome de apetite e enfatiza o facto de ser pela oralidade que a criança inicia a sua exploração do mundo. Freud inicialmente considerava que o funcionamento mental era regido pelo Princípio do Prazer: o curso dos eventos mentais advém de uma tensão desagradável e prende-se com o evitar do desprazer e com a obtenção do prazer. Mais tarde, esta visão foi insatisfatória para Freud, por não ser suficiente para explicar os fenómenos de repetição desprazerosos. A compulsão à repetição engloba o princípio do prazer e também experiências que fazem surgir o desprazer. Aquilo que move a compulsão à repetição é a necessidade do aparelho psíquico de dominar ou ligar excitações de carácter traumático. Estas compulsões são uma consequência da existência das pulsões. A compulsão reevoca experiências passadas que não possibilitaram nem proporcionaram prazer, surgindo desta forma uma cicatriz narcísica. Este tipo de experiências desprazerosas, são repetidas, sob pressão da compulsão neurótica.
Conclusão: Parece tratar-se de uma repetição de necessidades, desejos, carências e pulsões instintivas recalcadas que ficaram sem uma resposta satisfatória no passado ou que nunca são eficazmente supridas.

Palavras Chave: Adição, Compulsão Alimentar, Compulsão à Repetição, Freud