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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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ADESÃO AO PROGRAMA “PSIC” – UMA ANÁLISE DESCRITIVA

Joana Mesquita Reis1, Susana Jorge2, Berta Ferreira2, Teresa Maia2, Eliana Santos2, Janete Maximiano2, Cláudia Ribeiro2, Cristina Fernandes2, Tânia Roquette2

1 - Pedopsiquiatria, Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital Dona Estefânia; Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa
2 - Serviço de Psiquiatria; Hospital Professor Doutor Fernando da Fonseca, EPE

- Trabalho apresentado na reunião clínica do serviço de psiquiatria do HFF e no 3ºEncontro Nacional do Primeiro Episódio Psicótico, em formato de poster

Introdução: A intervenção preconizada no primeiro episódio psicótico (PEP) engloba o recurso a psicofármacos e a intervenções psicossociais. A adesão à medicação e o cumprimento dos tratamentos psicossociais são essenciais para o sucesso das intervenções. Estima-se que a não adesão à medicação no primeiro ano após o diagnóstico de psicose ocorra em cerca de metade dos doentes, sendo também elevada a taxa de abandono relativa às intervenções psicossociais. Vários estudos têm procurado determinar quais os fatores que contribuem para a não adesão à intervenção. No serviço de Psiquiatria do Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca (HFF) desenvolve-se um protocolo de avaliação e intervenção no PEP, o “PSIC”, o qual visa a avaliação global da sintomatologia e do funcionamento do indivíduo e a aplicação de intervenções específicas.
Objetivos: Caraterização do perfil sociodemográfico, clínico e de adesão ao tratamento numa amostra de pacientes com PEP.
Métodos: Realizou-se um estudo transversal, cujos dados foram obtidos a partir do preenchimento de um questionário com variáveis sociodemográficas, clínicas e de adesão, relativos aos pacientes referenciados ao “PSIC”, desde inicio de 2014 a 2017. Adicionalmente, analisou-se, retrospectivamente, a adesão à medicação e às intervenções psicossociais. Os dados foram tratados em SPSS®(v10.0.1).
Resultados: Da amostra inicial foram elegíveis 28 pacientes. Os pacientes apresentaram bons índices de adesão à medicação, tendencialmente superiores aos existentes na literatura. No que respeita às intervenções psicossociais os resultados encontram-se em conformidade com os encontrados por outros grupos. Não se encontrou associação entre a adesão ao protocolo ou à medicação e o género, ser imigrante, escolaridade e história de consumos. Contudo, encontrou-se uma associação estatisticamente significativa entre a má adesão ao protocolo e a inexistência de atividade laboral à entrada no protocolo (p 0,049*), assim como com a ausência de atividade socio-ocupacional durante o protocolo de intervenção (p 0,036*). Encontrou-se uma associação estatisticamente significativa entre a boa adesão ao protocolo e um envolvimento positivo da família (p 0,046*).
Conclusões: O reconhecimento antecipado de fatores de não adesão é essencial na estruturação de intervenções a eles dirigidas (como por exemplo a promoção de intervenção familiar), favorecendo a adesão ao projeto terapêutico e modificando o curso da doença.

Palavras Chave: Adesão; Intervenção; Primeiro episódio psicótico