imagem top

2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

CHULC LOGOlogo HDElogo anuario

A DIVERSIDADE DA EPILEPSIA NA PARALISIA CEREBRAL EM PORTUGAL NO SÉCULO XXI

Daniel Virella1,2,3; Teresa Folha1,4; Maria da Graça Andrada1,4,5; Ana Cadete1,6,7; Rosa Gouveia1,8; Teresa Gaia1,9; Joaquim Alvarelhão1,5,10; Eulália Calado1,11,12

1 - Programa de Vigilância Nacional de Paralisia Cerebral aos 5 Anos de Idade em Portugal (PVNPC5A);

2 - Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais do Hospital Dona Estefânia, Área de Pediatria Médica, Centro Hospitalar de Lisboa Central;
3 - Sociedade Portuguesa de Neonatologia da Sociedade Portuguesa de Pediatria;
4 - Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral Calouste Gulbenkian (Lisboa), Santa Casa da Misericórdia de Lisboa;
5 - Federação das Associações Portuguesas de Paralisia Cerebral;
6 - Serviço de Medicina Física e de Reabilitação do Hospital Fernando Fonseca (Amadora);
7 - Secção de Reabilitação Pediátrica da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação;
8 - Sociedade Portuguesa de Pediatria do Neurodesenvolvimento da Sociedade Portuguesa de Pediatria;
9 - Centro de Paralisia Cerebral de Beja;
10 - Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro;
11 - Serviço de Neurologia Pediátrica do Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central;
12 - Sociedade Portuguesa de Neuropediatria.

Comunicação livre (publicação de resumo)

- XII Congresso da Sociedade Portuguesa de Neuropediatria. Lisboa, 1 e 2 de fevereiro de 2018
- 30º Encontro Nacional de Epileptologia. Coimbra, 9 e 10 de Março de 2018
- Menção Honrosa da Liga Portuguesa Contra a Epilepsia 2018 pela melhor Comunicação Oral

Resumo:
Introdução. A epilepsia é uma morbilidade frequente e determinante de gravidade nas crianças com paralisia cerebral (PC). Objectivos. Explorar a diversidade da epilepsia nas crianças com PC aos 5 anos, nascidas no século XXI. Metodologia. Da base do PVNPC5A foram seleccionados os sobreviventes aos 5 anos de idade residentes em Portugal entre 2006 e 2014 (coortes de nascimento 2001-2009). Usaram-se definições, classificações e instrumentos comuns da SCPE e a classificação portuguesa de inclusão escolar. Epilepsia medicada foi considerada activa. Resultados. De 1458 crianças identificadas, tinham informação sobre epilepsia 1281 e 1252 sobre uso de antiepilépticos. Foi assinalada epilepsia em 44,2% (IC95%[41,5-46,9]) e epilepsia activa em 40,3% (IC95%[37,65-43,1]); em 94% das crianças assinaladas com epilepsia foi referida medicação. A prevalência é maior nas crianças de termo com PC (49%vs.36%) e menos frequente (31,1%) nas nascidas às 28-31 semanas. É maior nas crianças com PC de causa pós-neonatal (66,4%vs.41,9%), especialmente se prematuras (82,4%vs.62,5%). Também é mais prevalente na PC devida a CMV (68,6%). A prevalência é maior quando referidas convulsões nas primeiras 72h de idade (63,5%vs.33,7%) e quando referido Apgar<6 aos 5 minutos (51,8%vs.41,1%). A prevalência de epilepsia é semelhante nos três tipos clínicos de PC mas, nos casos com PC predominantemente espástica, é menos frequente na prematuridade. Nas formas espásticas bilaterais, a prevalência é 50% maior (49,6%vs.34,0%). A prevalência é maior quando na RM predominam lesões da substância cinzenta (46,7%), malformações cerebrais (54,5%) ou lesões diversas (59,8%). As lesões da substância cinzenta mais associadas a epilepsia são as para-sagitais (61,2%). A prevalência de epilepsia associa-se significativamente à gravidade da afectação funcional, neurossensorial ou cognitiva. As crianças com PC não integradas ou excluídas do sistema de ensino têm prevalência de epilepsia significativamente maior. Conclusões. O PVNPC5A proporciona informação epidemiológica e clínica que permite identificar os grupos com PC mais afectados pela epilepsia.

Palavras Chave: epidemiologia; epilepsia; paralisia cerebral; PVNPC5A; Portugal.