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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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PERTURBAÇÃO OBSESSIVO-COMPULSIVA: ABORDAGEM SISTÉMICA

Ivo Peixoto1

1- Área de Pedopsiquiatria, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE, Lisboa

- XIII Jornadas Internacionais RELATES – Encontro das Terapias Sistémicas, a Ciência e a Cultura (Comunicação Oral)

Resumo:
A Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC) é uma doença de etiologia neurobiológica bastante bem documentada. No entanto, o seu conteúdo, o seu impacto e o contexto em que ocorrem os sintomas são fatores fundamentais para a sua compreensão e intervenção, não só em termos individuais, mas também sistémicos.
O autor propõe uma revisão dos contributos das teorias sistémicas na compreensão e abordagem da POC, ilustrados através da análise de um caso clínico de um adolescente.
O contexto familiar é particularmente importante nas crianças e adolescentes com POC, verificando-se melhorias tanto mais significativas quanto mais se contempla o envolvimento familiar no tratamento. Tal acontece, em primeira linha, pela acomodação familiar em relação aos desencadeantes, na tranquilização excessiva da criança/adolescente ou na facilitação de rituais modificando as prioridades familiares, o que é extremamente frequente e pode exacerbar a sintomatologia. Também a forma como os membros da família interagem entre si na presença de stressores é uma consideração importante no tratamento. É sabido que estilos de comunicação negativa, crítica ou rejeição estão associados a sintomatologia mais severa e que interações familiares mais disfuncionais implicam pior resposta ao tratamento e pior impacto a longo-prazo. A integração destes aspetos no processo terapêutico terá potencialmente como resultado uma melhoria do prognóstico a nível individual e familiar.

Palavras Chave: Perturbação Obsessivo-Compulsiva; Terapia Familiar; Pedopsiquiatria