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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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“VAIS-TE EMBORA MAMÃ?” UM CASO DE LUTO PATOLÓGICO NA INFÂNCIA.

Catarina Garcia Ribeiro (1); Pedro Caldeira da Silva (2).

1- Interna de Pedopsiquiatria, Área da Mulher, da Criança e do Adolescente, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa.
2- Chefe de Serviço de Pedopsiquiatria, Área da Mulher, da Criança e do Adolescente, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa.

- Reunião Nacional, 2ªs jornadas de Pedopsiquiatria CHLC, formato poster.

Resumo:
Introdução: A perda de uma figura de vinculação, sobretudo de referência parental, constitui um factor de stress significativo na primeira infância, pela imaturidade do desenvolvimento emocional do bebé com dificuldades acrescidas para se adaptar à situação de perda. O Luto Patológico na Infância, além de um desafio na prática clinica, tem implicações importantes na intervenção terapêutica da criança pequena.
Relato de caso: Na sequência de um caso clínico de uma criança com 2 anos e 5 meses à data da 1ª consulta, acompanhado na Unidade da Primeira Infância, no qual se apuraram alterações do comportamento com impacto significativo no seu normal funcionamento após a separação prolongada da figura de referencia, este estudo pretende mostrar o surgimento de psicopatologia numa criança pequena após a separação, o estabelecimento do diagnóstico de Luto Patológico na Infância e possíveis intervenções terapêuticas. O caso clínico descrito, que mantém seguimento em consulta de pedopsiquiatria, foi discutido em equipa à luz do desenvolvimento emocional e global da criança pequena que foi sujeita à separação prolongada da figura primária de vinculação (mãe) por motivos profissionais. Foi feita uma revisão bibliográfica do luto na primeira infância e classificou-se a perturbação descrita segundo os critérios do novo manual de doenças mentais na criança pequena (DC 0-51, em vigor nos EUA desde Janeiro/ 2017).
Conclusão: Perante as alterações de comportamento e sintomatologia que a criança manifesta considera-se imperativo reverter a situação da separação prolongada com o intuito de minimizar os danos no desenvolvimento emocional da criança pequena. Não sendo possível realizar atempadamente esta reaproximação, a manutenção da sintomatologia com meses de evolução torna as opções de intervenção terapêutica um desafio para a prática clínica. Mais do que a intervenção com os pais, é através do jogo com a criança pequena, onde se cria espaço para ela se expressar e tentar encontrar sentido para o sofrimento que sente face à separação.

1DC:0-5 – Diagnostic Classification of Mental Health and Developmental Disorders of Infancy and Early Childhood (2017).

Palavras Chave: Luto Patológico na Infância; criança pequena; separação prolongada.