imagem top

2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

logo chlclogo HDElogo anuario

UVEÍTE NA ARTRITE IDIOPÁTICA JUVENIL – CARACTERÍSTICAS E COMPLICAÇÕES

Diogo Hipólito Fernandes1, Maria Elisa Luis1, Joana Cardigos1, Alcina Toscano1, Cristina Ferreira1, Margarida Ramos2, Marta Conde2, Cristina Henriques2, Cristina Brito1.

1. Serviço de Oftalmologia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE, Lisboa;
2. Serviço de Pediatria Reumatológica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE, Lisboa.

- 60º Congresso da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia

Introdução: A artrite idiopática juvenil (AIJ) é a patologia reumática mais frequente em idade pediátrica. A uveíte é a manifestação extra-articular mais comum, a qual se apresenta tipicamente de forma insidiosa e assintomática, sendo o rastreio oftalmológico preconizado. O objetivo deste estudo é a caracterização da população pediátrica com uveíte associada a AIJ seguida num hospital pediátrico terciário nos últimos 15 anos.
Material e Métodos: Estudo de coorte retrospetivo de doentes com uveíte associada a AIJ. Os doentes foram caracterizados de acordo com o sexo, idade ao diagnóstico de uveíte, subtipo de AIJ, tempo decorrido entre o diagnóstico reumático e uveíte, características clínicas da uveíte, marcadores laboratoriais, melhor acuidade visual corrigida (MAVC), terapêutica, complicações e procedimentos cirúrgicos realizados.
Resultados: Foram incluídos 24 doentes, 13 (54,1%) do sexo feminino, com idade mediana ao diagnóstico de uveíte de 6 anos (3,0-9,25) e intervalo mediano entre o diagnóstico de artrite e a apresentação de uveíte de 1 mês (0-42). Cerca de 57,1% dos doentes apresentaram uveíte prévia ou concomitante ao diagnóstico de AIJ e 80,9% até aos 4 anos de doença. O subtipo oligoarticular de AIJ foi o mais frequente (58,3%). Os anticorpos anti-nucleares eram positivos em 70,8% dos doentes. Verificaram-se complicações oftalmológicas em 12 doentes (50%), 75% dos quais com complicações na primeira avaliação. As sinéquias posteriores (50%; 12/24) e as cataratas (25%; 6/24) foram as mais frequentes. Foram submetidos a cirurgia oftalmológica 5 doentes (20,8%.). Houve necessidade de escalada terapêutica pela uveíte em 87,5% dos doentes. À data da última consulta apenas 6,25% do total de olhos apresentam uma MAVC inferior a 0,3 logMAR. A maior precocidade do diagnóstico de uveíte relativamente ao de AIJ foi a única variável associada significativamente à evolução com complicações (mediana=0; AIQ 13 vs mediana=36; AIQ 64; p=0,034). Atualmente, 29,2% dos doentes estão medicados com metotrexato, 20,8% com metotrexato e adalimumab.
Conclusões: A maioria das uveítes associadas a AIJ ocorreram nos primeiros 4 anos após o diagnóstico reumatológico. Cerca de 50% dos doentes desenvolveram complicações oftalmológicas, cujo risco aumentou quando o diagnóstico de uveíte foi prévio ou concomitante ao diagnóstico de AIJ. Desta forma, salienta-se a importância dos dados obtidos na relevância do rastreio oftalmológico desta população.

Palavras-chave: artrite idiopática juvenil, uveíte