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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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URETERO-URETEROSTOMIA VÍDEO ASSISTIDA NUMA CRIANÇA DE 1 ANO DE IDADE

Pedro Reino Pires1, Aline Vaz da Silva1, Vanda Pratas Vital1, Fátima Alves1, Filipe Catela Mota1, João Pascoal1

1. Serviço de Cirurgia Pediátrica, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE, Lisboa;

- Comunicação oral no 1º Congresso Multiprofissional do Hospital de Dona Estefânia (Setembro de 2017)
- Comunicação oral no 10º Congresso da Sociedade Portuguesa de Cirurgia Minimamente Invasiva

CASO CLÍNICO: Criança do sexo feminino de um ano de idade, evacuada de Cabo Verde, com diagnóstico pré natal de uretero hidronefrose direita. Com infeção urinária anterior, sob profilaxia com co-trimoxazol. Estudo ecográfico: duplicidade pielo-ureteral direita, pielão superior hidronefrótico, com redução de parênquima. Uretrocistografia miccional retrógrada sem refluxo vesico-ureteral. Renograma: função relativa de rim direito 55%; pielão superior direito 12%, com excreção tardia. Propõe-se cistoscopia e ureteroureterostomia vídeo assistida por megaureter obstrutivo de pielão superior direito por ectopia ureteral.
CIRURGIA: com cistoscópio de 8.5Fr coloca-se stent ureteral duplo J em ureter ortotópico (pielão inferior). Identifica-se ostium de megaureter (pielão superior) distalmente ao colo vesical. Realiza-se laparoscopia com porta umbilical de 5mm, duas de 3 mm (hipocôndrio direito, fossa ilíaca esquerda), instrumental de 3mm e fonte de energia monopolar. Identificam-se ureteres sobre vasos ilíacos que se dissecam e referenciam. Procede-se a inguinotomia (≈2,5cm) e dissecção sob controlo laparoscópico. Realizase anastomose termino-lateral extra-corpórea. No controlo laparoscópico identifica-se anastomose, realizando-se laqueação de extremidade distal de megaureter.
PÓS-OPERATÓRIO: Alta em D2 de pós-operatório, sob profilaxia com co-trimoxazol. Reinternamento em D6 por pielonefrite aguda direita (ecografia: ecos em suspensão de megaureter de pielão superior, sem outras alterações). Feita antibioticoterapia dirigida a E. coli sensível a cefuroxime, que cumpriu por 8 dias. Sem outras intercorrências.
CONCLUSÃO: a uretero-ureterostomia é uma boa indicação cirúrgica dado que permite a descompressão do pielão superior evitando a progressão de uretero hidronefrose assim como da lesão do parênquima renal; também se previne uma eventual incontinência urinária por ureter ectópico. Julgamos ser um procedimento mais seguro e menos agressivo que alternativas – p. ex. reimplantação ureteral, pielopielostomia, heminefrectomia. A realização do procedimento vídeo-assistido aumenta a segurança na identificação e dissecção, apresenta menor risco, invasão e lesão que alternativas, melhorando o conforto pós-operatório e estética, reduzindo o tempo de internamento.

Palavras-chave: cirurgia minimamente invasiva, cirurgia vídeo assistida, laparoscopia, cirurgia pediátrica, urologia