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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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UM CASO RARO DE ENTEROCOLITE ATÍPICA À FARINHA DE ARROZ

Tânia Gonçalves1, Paula Leiria Pinto1

1- Imunoalergologia, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE, Lisboa

- 38ª Reunião Anual da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, Figueira da Foz, 6 a 8 de Outubro de 2017
- Apresentação sob a forma de poster; publicação de resumo
- Reunião Nacional

Resumo:
Introdução: A alergia ao arroz é rara na criança e manifesta-se habitualmente por um quadro de enterocolite induzida por proteína alimentares (FPIES). O papel da IgE na fisiopatologia desta entidade não está ainda estabelecido, sendo muito rara a deteção da presença de IgE específicas para o arroz e considerando-se esses casos de “atípicos”.
Relato de caso: Os autores apresentam um caso de um lactente de 7 meses com FPIES atípica, devida à ingestão de arroz. Nos antecedentes familiares destaca-se irmão de 4 anos com antecedentes de alergia às proteínas do leite de vaca ultrapassada aos 3 anos de vida. Aos 4 meses, sob aleitamento materno, após ingestão de papa não láctea com farinha de arroz, reconstituída com leite hipoalergénico, tem quadro de vómitos imediatos, pelo que é aconselhado adiar a re-exposição à papa. Aos 6 meses, ingere novamente papa não láctea reconstituída com leite materno com farinhas de arroz, milho, centeio, aveia, cevada e trigo e cerca de 3 a 4 horas após inicia quadro de vómitos incoercíveis, palidez, condicionando recurso ao Serviço de urgência onde faz hidratação por via endovenosa, com recuperação em algumas horas. Negava manifestações cutâneas ou respiratórias associadas. É referenciado à consulta de Imunoalergologia, onde realiza testes cutâneos por picada (TCP) com leite de vaca, arroz, farinhas de milho, centeio, aveia e trigo, que foram positivos (pápula com diâmetro médio de 4 mm e com eritema) apenas para o arroz. O doseamento de IgE especificas foi negativo para o leite de vaca e de 1.39KUA/L para o arroz, tendo sido recomendada dieta com evicção do arroz.
Conclusões: Este caso é importante porque alerta para a importância da suspeição do diagnóstico desta entidade rara, FPIES, através da clínica, que neste caso foi atípica, quer pelo início imediato da primeira reação quer pela positividade dos TCP e das IgE específicas para o arroz. Atendendo à gravidade da reação e à presença de IgE específicas não foi efetuada prova de provocação, de momento. Realça-se ainda a possibilidade de alimentos aparentemente hipoalergénicos como o arroz poderem levar ao desenvolvimento de respostas alérgicas, sendo importante conhecer as manifestações usuais dos quadros de alergia associados aos diferentes alimentos para suspeitar, diagnosticar e implementar a rápida evicção.

Palavras Chave: enterocolite, arroz, FPIES