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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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TORÇÃO TESTICULAR, TRATAMENTO E SEGUIMENTO CLÍNICO - CASUÍSTICA DE 5 ANOS DE UM SERVIÇO DE CIRURGIA PEDIÁTRICA

Joana Patena Forte, Ema Santos, Aline Vaz da Silva, João Pascoal

Serviço de Cirurgia Pediátrica do Hospital D. Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central

- Congresso Nacional da Sociedade de Cirurgia Pediátrica 2017 (comunicação oral)

Introdução: A torção do testículo é uma causa comum de escroto agudo e de ida ao serviço de urgência. É essencial a rapidez de diagnóstico e tratamento cirúrgico de forma a preservar o testículo e evitar as complicações que advém de uma orquidectomia. Este estudo pretende relacionar o tempo de evolução dos sintomas com a terapêutica realizada e a possibilidade de atrofia do testículo quando este é preservado durante o acompanhamento clínico do doente.
Metodologia: Foi realizada uma análise retrospectiva dos processos dos doentes com diagnóstico de torção testicular (ICD9: 608.20, 608.21, 608.22) entre 1 de Janeiro de 2010 e 31 de Dezembro de 2014, através da consulta dos registos electrónicos. Foram avaliadas variáveis como a idade, origem do doente, duração de sintomas, tipo de tratamento, grau de torção e evolução clínica posterior com atrofia ou não.
Resultados: No período avaliado foram diagnosticados 160 casos de torção testicular intravaginal, que recorreram directamente à nossa urgência (36%) ou que foram referenciados (64%), com uma média de idades de 11.9, com o maior pico de distribuição entre os 13 e 14 anos (40%). A duração média de sintomas foi de 32.5h (variando entre 1 e 720h), sendo que foi possível a preservação do testículo em 122 casos, através de orquidopexia (120 casos) ou de destorção manual e vigilância (2 casos). Em 38 casos foi necessária orquidectomia, 70% das quais em doentes cujos sintomas tinham mais de 24h de evolução. Em 89% dos casos que se apresentaram com menos de 24h de duração dos sintomas, foi possível a preservação testicular e orquidopexia. Apenas 35% dos doentes submetidos a orquidopexia mantiveram seguimento superior a 6 meses. Nestes a taxa global de atrofia testicular foi de 28%, com um aumento de incidência com a evolução dos sintomas, que foi superior a 50% após as primeiras 24h.
Conclusão: Os registos incompletos e a perda de seguimento de grande parte dos doentes impõem limitações ao estudo. Ainda assim é evidente que a duração dos sintomas é um importante factor preditivo da viabilidade do testículo torcido. Desde modo, as crianças e suas famílias devem ser educadas para não minimizarem a importância dos sintomas, permitindo o diagnóstico e terapêutica atempados da torção testicular e a redução das implicações físicas e psicológicas que a orquidectomia pode condicionar.