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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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SENSIBILIZAÇÃO A PR-10 – UMA REALIDADE TAMBÉM NOSSA?

Elena Finelli1, David Pina-Trincão1, Miriam Araujo1, Vitória Matos2,Miguel Paiva1, Sara Prates1,Paula Leiria Pinto1,3

1- Serviço de Imunoalergologia, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, E.P.E., Rua Jacinta Marto, Lisboa, Portugal
2- Serviço de Patologia Clínica, Hospital de São José, Centro Hospitalar de Lisboa Central, E.P.E., Rua José António Serrano, Lisboa, Portugal
3- CEDOC, Integrated Pathophysiological Mechanisms Research Group, Nova Medical School, Campo dos Mártires da Pátria, 1150-190 Lisboa, Portugal

- 38ª Reunião Anual da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, Figueira da Foz, 6 a 8 de Outubro de 2017
- Apresentação como comunicação oral; publicação de resumo
- 1º Prémio Melhor Poster

Resumo:
Introdução: A Bet v 1, alergénio major do pólen de bétula, pertence ao grupo das proteínas PR-10. Na nossa consulta, temos identificado alguns doentes sensibilizados a Bet v 1, provenientes de áreas sem distribuição geográfica desta árvore.
Objectivo: Caracterizar uma população de doentes com IgEs positivas para PR-10 no ImmunoCapISAC®(ISAC).
Metodos: Análise retrospectiva dos doentes da nossa consulta que realizaram estudo ISAC entre Janeiro de 2009 e Junho de 2017, tendo sido seleccionados os casos com positividade para uma ou mais PR-10 e realizada revisão dos respectivos processos clínicos. Foi utilizada para comparação uma amostra sequencial (n=80), selecionada a partir dos últimos doentes a realizar estudo ISAC.
Resultados: Dos 234 ISAC realizados, apenas 16 revelaram positividade para proteínas da família das PR-10. A idade média destes doentes era 18,3 anos, 68% (n=11) do sexo masculino. Residir no distrito de Portalegre foi significativamente mais comum no grupo de positivos do que na amostra sequencial (7/16 vs 1/80; p<0,001). As PR-10 de pólenes foram positivas em 15 doentes (93,7%), mais frequentemente Bet v 1 (n=13), seguindo-se Aln g 1 (n=10) e Cor a 1 (n=8). 14/16 doentes tinham positividade para PR-10 de alimentos, na maioria Cor a 1.0401 (n=13) e Mal d 1 (n=12). Relativamente aos testes cutâneos (TC), a sensibilização a bétula estava presente em 14 doentes; em apenas 4 foram realizados TC para árvores da família Fagaceae, que foram positivos para carvalho (4), castanheiro (3) e sobreiro (1). Em todos havia sensibilização para outros pólenes, sendo os mais frequente os de gramíneas. Todos os doentes tinham clínica de alergia respiratória. A alergia alimentar verificou-se em 9 doentes, mas em 7 destes havia sensibilização a outros alergénios de reactividade cruzada (LTPs/profilinas) ou específicos de espécie.
Conclusões: Na população da nossa consulta a sensibilização a PR-10 é rara, destacando-se a sua frequência no Alto Alentejo, em provável relação com a flora autóctone, que deverá ser considerada quando se efectua o diagnóstico alergológico de doentes desta região. Na nossa amostra, todos os doentes com positividade para PR-10 apresentam alergia respiratória e as PR-10 não parecem ser relevantes na alergia alimentar. Serão necessários mais estudos para caracterizar quais os representantes desta família de proteínas com mais importância no panorama aerobiológico nacional e determinar a sua relevância clínica.

Palavras Chave: PR-10, ISAC, alérgia respiratória, aerobiologia