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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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SENSIBILIZAÇÃO A ALERGÉNIOS DE CONTACTO EM IDADE PEDIÁTRICA

Ana Castro Neves1, Sónia Rosa1, João Marques1,2, Paula Leiria Pinto1,2

1Serviço de Imunoalergologia, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, Lisboa, Portugal
2CEDOC, Integrated Pathophysiological Mechanisms Research Group, Nova Medical School, Lisboa, Portugal

- 38ª Reunião Anual da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, Figueira da Foz, 6 a 8 de Outubro de 2017
- Apresentação sob a forma de poster; publicação de resumo
- Reunião Nacional

Resumo:
Introdução: A dermatite de contato alérgica (DCA) é uma reacção de hipersensibilidade retardada do tipo IV. Os testes epicutâneos (TE) são considerados o gold standard para o diagnóstico de DCA. Existem poucos estudos que avaliam a frequência de alergénios e a sua relevância clínica na DCA em idade pediátrica.
Objetivos: Determinar a frequência e perfil de sensibilização a alergénios nos doentes em idade pediátrica referenciados, ao nosso Serviço para realização de TE.
Material e Métodos: Análise retrospectiva dos doentes pediátricos que realizaram TE, utilizando a série-padrão do GPDC e produtos pessoais, de 2009 a 2016. Avaliou-se a frequência de sensibilização e as principais substâncias sensibilizantes. Os alergénios foram considerados clinicamente relevantes se existiam no ambiente do doente, a dermatite correspondia ao local de contacto com os mesmos, observava-se melhoria com a evicção e agravamento com a reexposição. Avaliou-se ainda coexistência de doenças alérgicas e de atopia (avaliada por testes cutâneos por picada (TCP)).
Resultados: Foram incluídos 21 doentes, dos quais 14 (67%) tiveram pelo menos uma sensibilização demonstrada. Em 71% destes doentes as sensibilizações foram clinicamente relevantes. 81% eram do sexo feminino, idade mediana de 14 anos (mínimo 8; máximo 18); 16 doentes realizaram TCP e 10 (62%) eram atópicos; 12 (57%) tinham rinite/rinoconjuntivite, 7 (33%) tinham asma e 3 (14%) tinham eczema atópico. Todos os TE com produtos pessoais (n=5) foram negativos. As sensibilizações observadas mais frequentes foram ao níquel (Ni) (78,6% n = 11), cloreto de cobalto (28,5% n = 4), mistura de caínas (21,4% n = 3); mistura de fragrâncias (14,3% n = 2) p-fenilenodiamina (14,3% n = 2). Nove doentes (64% dos doentes com resultados positivos) tiveram sensibilização a mais que um alergénio e em 6 o alergénio implicado foi o Ni. Dos 11 doentes sensibilizados ao Ni, 10 eram do sexo feminino e a dermatite localizava- -se predominantemente na área periumbilical, mãos e pálpebras. Todos os doentes sensibilizados ao cloreto de cobalto eram do sexo feminino, 3 estavam sensibilizados também para outros alergénios e as pálpebras foram a localização mais comum.
Conclusões: A frequência de sensibilização a alergénios específicos é comum em doentes em idade pediátrica referenciados para realização de TE. A maioria dos doentes observados apresenta sensibilização ao Ni, o que está de acordo com o descrito na literatura.

Palavras Chave: Dermatite contacto pediátrica, alergénios de contacto