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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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RESSECÇÃO ATÍPICA DO PULMÃO: EXPERIÊNCIA DE UM DEPARTAMENTO DE CIRURGIA PEDIÁTRICA DE UM HOSPITAL TERCIÁRIO

Pedro Reino Pires1, Sofia Morão1, Aline Vaz Silva1, Margarida España1, Rui Alves1, João Pascoal1

1. Serviço de Cirurgia Pediátrica, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE, Lisboa;

- Comunicação oral no Congresso Nacional de Cirurgia Pediátrica (Novembro de 2017)

O presente estudo tem como objetivo caracterizar a população de doentes de um hospital terciário submetidos a ressecção atípica do pulmão. Com esta abordagem evita-se uma ressecção anatómica, poupando-se pulmão saudável. Pode ser realizada por toracotomia ou toracoscopia. A maioria dos doentes elegíveis para esta abordagem têm o diagnóstico de metástases tumorais secundárias (Mx) ou a presença de blebs pleurais em associação a pneumotórax primário (PT). Apesar de não ser uma técnica inovadora, pouco tem sido discutido e publicado acerca desta abordagem na população pediátrica. Assim, este estudo pretende caracterizar a nossa população de doentes e avaliar o sucesso da abordagem assim como da nossa atitude terapêutica.
Identificaram-se os processos clínicos online dos doentes internados no período compreendido entre Janeiro de 2010 e Novembro de 2016 com o diagnóstico de PT (ICD-9:5128) ou de Mx (ICD-9:1971), submetidos a intervenção cirúrgica. Incluíram-se aquele submetidos a ressecção atípica do pulmão que se dividiram em 2 grupos – Mx (9 casos) e PT (16 casos) - num total de 18 doentes, 14 do sexo masculino e 11 do feminino (56%vs44%); identificaram-se 25 procedimentos (16 toracoscopias vs 9 toracotomias - 64%vs36%; avaliação anestésica pré-operatória (pela American Society of Anesthesiology e de I para IV) 1, 16, 8, 0 (4%vs68%vs32%vs0%). Os casos de Mx deveram-se a: tumor de Wilms 7, osteossarcoma 1, cancro testicular 1 (78%vs11%vs11%); 6 doentes com PT tinham asma (37,5%). Não se registaram outras co morbilidades relevantes. 3 casos apresentavam Mx bilateralmente e 2 casos apresentavam PT contra lateral. Não se registaram complicações operatórias em nenhum dos grupos. Registaram-se duas recidivas de PT, submetidos a nova ressecção atípica por toracoscopia com bom resultado. No grupo de Mx não se registaram recidivas.
Todos os doentes com Mx foram abordados por toracotomia e todos com PT por toracoscopia. A toracoscopia ter vindo a ser favorecida nos últimos anos, contudo discute-se se é a abordagem ideal nos casos de Mx. A informação táctil do cirurgião possível por toracotomia torna-a maioritariamente aceite, apesar da maior morbilidade associada. A toracoscopia é uma ótima abordagem para a ressecção atípica do pulmão, sendo o doente com PT um excelente candidato. A nossa casuística parece refletir a atual “tendência cirúrgica” com excelentes resultados. Todavia, este estudo não permite a avaliação dos doentes a longo prazo, na vida adulta, e a sua amostra é pequena, por tal consideramos que são necessários mais estudos prospetivos desta abordagem em idade pediátrica.

Palavras-chave: cirurgia minimamente invasiva, torascoscopia, toracotomia, ressecção pulmonar, cirurgia pediátrica.