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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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QUISTOS DO OVÁRIO DIAGNOSTICADOS NO PERÍODO PERI-NATAL – EXPERIÊNCIA DE UM HOSPITAL PEDIÁTRICO

Sofia Lima1, Maria Knoblich1, João Pascoal1

 

1. Serviço de Cirúrgia Pediátrica, Hospital Dona Estefânia- CHLC,

- Congresso da Sociedade Portuguesa de Cirurgia Pediátrica, 10 e 11/11/17 (Poster) 

Introdução: Os quistos do ovário são os quistos abdominais mais frequentes em fetos e recém-nascidos de sexo feminino, com uma incidência estimada de 1 em cada 2500 recém-nascidas. Os quistos do ovário podem ser simples ou complexos, consoante as características ecográficas. A indicação para cirurgia, apesar de controversa, pondera-se nos casos de quistos simples com dimensão superior a 4-5cm que não resolvem espontaneamente, ou que são sintomáticos, e nos quistos complexos. Os objetivos deste trabalho foram conhecer a experiência de um hospital pediátrico em doentes operados a quistos do ovário quando diagnosticados no período peri-natal. Realizou-se um estudo retrospetivo que incluiu doentes operados com idades entre os 0 e 12 meses, cujo diagnóstico de quisto do ovário foi feito no período fetal ou neonatal, no período entre Janeiro de 2010 e Julho de 2017.
Resultados: Foram avaliados os seguintes parâmetros: idade, peso, sintomas, estudo complementar, opções cirúrgicas, achados intra-operatórios, exame histopatológico e follow-up.
Foram incluídas 13 crianças neste estudo, com média de idade de 2 meses e meio (±3) e peso médio de 4kg, na altura da cirurgia. A maioria (92%) tinha diagnóstico pré-natal de quisto do ovário, obtido em média às 32 semanas (±3) de Idade Gestacional. Apenas em 4 casos se verificou sintomatologia associada ao quisto do ovário. O estudo complementar pós-natal foi feito na totalidade dos casos com ecografia. A dimensão média dos quistos foi de 54 mm (±13). A maioria (85%) dos quistos foi classificado como complexo. Em 38% dos casos verificou-se alteração das características ou redução da dimensão dos quistos do ovário no seguimento por ecografia. O intervalo médio entre o diagnóstico e a cirurgia foi de 2 meses (±3). As abordagens cirúrgicas foram minimamente invasiva em 54% dos casos e laparotomia nos restantes. O achado cirúrgico mais frequente (69% dos casos) foi a auto-amputação ovárica, por provável torção in útero. Procedeu-se a ooforectomias em 77% dos casos, nalguns associada a salpingectomia. Houve uma perfuração vesical acidental que resolveu de forma conservadora. O follow-up médio foi de 15 (±20) meses.
Discussão: A abordagem aos quistos complexos é ainda controversa, uma vez que podem representar complicações como a hemorragia ou torção e, se por um lado não se pode determinar o timing desses eventos, por outro é fundamental a preservação do parênquima ovárico, pelo que os benefícios e as desvantagens de uma cirurgia podem ser difíceis de balancear.

Palavras-chave: quistos do ovário; neonatal