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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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QUEIMADURAS ABAIXO DE 1 ANO DE IDADE

Sofia Morão, Maria Luís Sacras, Maria Knoblich, Alexander Samay, Margarida España, Maria José Leal, Regina Duarte, João Pascoal

Cirurgia Pediátrica, Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, Lisboa

- Poster apresentado no Congresso Multiprofissional do Hospital Dona Estefânia 140 anos, Lisboa, 28 e 29 de Setembro de 2017

Introdução: As queimaduras em idade pediátrica são frequentes. Apesar de existirem poucos estudos epidemiológicos publicados é importante o seu impacto negativo na qualidade de vida da criança/ futuro adulto, assim como a nível sócio-económico. Como um dos principais centros de referência a nível nacional, temos vindo a assistir a um crescendo do número de doentes queimados com menos de um ano de idade com necessidade de internamento.
Objectivo e métodos: Pesquisa retrospectiva nas bases de dados informáticas de todos os doentes internados no centro hospitalar por queimadura, com idade igual ou inferior a 12 meses, no período entre Janeiro de 2011 e Dezembro de 2016.
Resultados: Neste período, foram internados 681 crianças, das quais 73 (11%) tinham idade igual ou inferior a 12 meses. Cerca de 67% dos doentes foram transferidos de outros hospitais. A média de idade foi de 9 meses (entre 1 e 12 meses). Verificou-se uma distribuição entre géneros relativamente equitativa. Em 61 casos o agente etiológico foi um líquido quente (maioritariamente a água). Nove queimaduras foram por contacto em superfícies quentes, 2 por fogo e 1 eléctrica. A face e as mãos foram as áreas mais frequentes atingidas, com uma superfície corporal queimada média de cerca de 8% (entre 2 e 35%), sendo a grande maioria de 2º grau. Todas as queimaduras aconteceram no domicílio da criança com o cuidador presente. O tempo médio de internamento foi de 19 dias (entre 1 e 73 dias). Em 5 casos, houve necessidade de internamento nos Cuidados Intensivos. Noutros 5 casos registou-se infecção do local da queimadura. Em todos os doentes foram realizados pensos e cuidados fisiátricos, tendo havido necessidade de enxerto cutâneo em 17 doentes e de escarotomias/ fasciotomia em 2 doentes. No seguimento, foram objectivados 6 casos de bridas constritivas com necessidade de cirurgia, 1 caso de alopécia e em 22 doentes as cicatrizes eram hipertróficas/ quelóides e/ou com discromia.
Conclusões: As queimaduras nas crianças abaixo de um ano de idade são resultado de acidentes no domicílio, pelo que é fundamental apostar numa campanha de prevenção que chegue à sociedade de forma eficaz.

Palavras-chave: queimaduras; crianças; 1 ano de idade; cirurgia