imagem top

2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

logo chlclogo HDElogo anuario

QUANDO UM MAL NÃO VEM SÓ...

Filipa Marujo, Marisa Inácio Oliveira, Tiago Milheiro Silva, Ana Cristina Ferreira, Catarina Gouveia

1 - Unidade de Infecciologia, Área da Pediatria Médica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa
2 - Unidade de Infecciologia, Área da Pediatria Médica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa
3 - Unidade de Infecciologia, Área da Pediatria Médica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa
4 - Unidade de Doenças Metabólicas, Área da Pediatria Médica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa
5 - Unidade de Infecciologia, Área da Pediatria Médica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa

18º Congresso Nacional de Pediatria, Sociedade Portuguesa de Pediatria; Poster com Discussão

Resumo:
Introdução:A meningite neonatal continua a ser uma importante causa de morbilidade e mortalidade, sendo a E. coli uma das principais etiologias. Os factores de risco associados a mau prognóstico estão relacionados com factores de virulência do agente e a factores do hospedeiro, não completamente conhecidos. Descrevemos um caso de meningite neonatal a E. coli associada a doença metabólica.
Relato de caso:Recém-nascido filho de pais não consanguíneos, gestação vigiada de termo, parto eutócico, internado em D6 de vida por febre, hipotonia e má progressão ponderal. Analiticamente destacava-se leucócitos 8600/µL, PCR 40,5 mg/L, líquor com incontáveis leucócitos com predomínio de neutrófilos, proteínas 475 mg/dL, glicose <1g/dL. No exame cultural do líquor foi identificado E. coli. Foi medicado inicialmente com cefotaxime e ampicilina que posteriormente suspendeu e iniciou gentamicina. Manteve-se sempre apirético com normalização dos parâmetros inflamatórios. Por persistência da hipoglicorráquia, sinais ecográficos sugestivos de ventriculite e focos piogénicos na ressonância magnética nuclear, foi decidido prolongar terapêutica antibiótica até 28 dias. Em D13 de vida, é recebida informação do Programa Nacional de Diagnóstico Precoce de acidúria metilmalónica por défice de metilmalonilCoAmutase. Registou-se hiperlactacidémia máxima de 7,9 mmol/L sem acidose metabólica ou hiperamoniémia significativas. Iniciou dieta com restrição proteica, L-carnitina e hidroxicobalamina, com redução progressiva de ácido metilmalónico.
Conclusões: Apesar da ausência de descompensação metabólica importante da acidúria metilmalónica, os autores conjeturam se a doença metabólica terá condicionado a evolução piogénica da meningite por E. coli.

Palavras Chave: acidúria metilmalónica, E. coli, meningite, neonatal, sépsis