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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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PTOSE PALPEBRAL CONGÉNITA: UMA COMPLICAÇÃO INESPERADA

Maria Elisa Luís¹, Diogo Hipólito Fernandes¹, Ana Paixão¹, Ana Amaro¹, Mara Ferreira², Ana Magriço¹, Alcina Toscano¹

1. Serviço de Oftalmologia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE, Lisboa;
2. Hospital da Luz, Lisboa

- Reunião dos Grupos Portugueses de Oftalmologia Pediátrica, Estrabismo, Neuroftalmologia, Patologia Oncológica, Genética, Órbita e Oculoplástica. Évora, Outubro 2017 (Comunicação Oral)

Introdução: A ptose palpebral congénita é uma patologia unilateral em 70%, tendencialmente não progressiva, cuja correção representa um desafio para o oftalmologista. A seleção da melhor técnica e os seus resultados depende da experiência do cirurgião, do grau de ptose e do grau de ação do músculo elevador da pálpebra (MEP). Os autores apresentam o caso de uma ptose congénita bilateral intervencionada, com pós-cirúrgico complicado.
Materiais e Métodos: Caso clínico com anamnese, exame objetivo e registo fotográfico.
Resultados: Criança do sexo masculino, referenciada à consulta de oftalmologia aos 2 anos (2010), por ptose congénita bilateral moderada. Manteve vigilância e aos 5 anos (2013), foi submetido a encurtamento do MEP do olho direito (OD) com correção incompleta. O olho esquerdo (OS) foi submetido em 2014 a ressecção supramáxima do MEP, complicada com ptose dos cílios e erosão central da córnea. Após 3 meses de tratamento conservador evoluiu para úlcera da córnea e hipópion, que resolveram após internamento com antibioterapia endovenosa e colírios fortificados. Em 2015 a ptose dos cílios foi corrigida cirurgicamente. Em 2016 foi submetido a nova ressecção do MEP OD (supramáxima), sem complicações. Atualmente apresenta um bom resultado estético e funcional, com melhor acuidade visual corrigida (MAVC) de 20/20 OD e 20/25 OS.
Conclusões: A ptose palpebral congénita tem potencial ambliogénico, exigindo correção cirúrgica e eventual reintervenção. A escolha da melhor opção cirúrgica é controversa, sobretudo se a função do MEP é próxima ou inferior a 4mm. A ressecção supramáxima do MEP é uma opção, particularmente se há bom fenómeno de Bell. Estão descritas complicações ligeiras do contorno palpebral em 29%, e ptose dos cílios em 31% dos casos. O resultado estético e funcional a longo prazo é bom, mas não está isento de complicações inesperadas. Os autores salientam a importância da apresentação do caso clínico como alerta para resultados imprevistos e sua orientação.

Palavras-chave: ptose palpebral congénita; ressecção supramáxima