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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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PERFURAÇÃO INTESTINAL COMO APRESENTAÇÃO DA DOENÇA DE CROHN – O PAPEL ATÍPICO DA CIRURGIA PEDIÁTRICA

Joana Patena Forte, Aline Vaz da Silva, Cristina Borges, João Pascoal

Serviço de Cirurgia Pediátrica do Hospital D. Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central

- Congresso Nacional da Sociedade de Cirurgia Pediátrica 2017 (POSTERl)

Introdução: a doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal crónica e recidivante. Cerca de 25% dos casos são diagnosticados em crianças e adolescentes, manifestando-se de forma mais grave e associando-se a internamentos recorrentes, terapêuticas prolongadas e complicações com grande impacto no dia-a-dia dos doentes e suas famílias, necessitando de cuidados integrados por vários profissionais.
Caso Clínico: Um adolescente do sexo masculino de 17 anos, com antecedentes de obstipação, foi levado ao serviço de urgência do Hospital D. Estefânia, por um quadro de dores abdominais tipo cólica com agravamento progressivo nas 2 semanas anteriores associado naquele dia a vómitos. À observação apresentava bom estado geral um abdómen mole e sem sinais de irritação peritoneal e uma extensa lesão inflamatória perineal, indolor e sem flutuação. Ficou internado sob antibioterapia endovenosa. Ao 6º dia de internamento instalou-se um quadro de abdómen agudo, sendo que a TC abdominal demonstrou ascite não pura e uma provável perfuração intestinal. Foi submetido a laparotomia exploradora, tendo-se constatado um segmento jejunal com áreas de espessamento transmural e uma perfuração a cerca de 80cm do angulo de Treitz. Foi realizada ressecção de cerca de 60cm de jejuno e montada uma jejunostomia. Os achados intraoperatórios levantaram a hipótese diagnóstica de Doença de Crohn, confirmada pela avaliação histológica da peça operatória. A colonoscopia documentou extensão da doença a todo o cólon. O pós-operatório teve algumas complicações nomeadamente infeção da ferida operatória, derrame pleural, sépsis, insuficiência intestinal e colestase com necessidade de nutrição parentérica e de várias intervenções cirúrgicas para colocação de cateter venoso central, drenagem torácica e drenagem da ferida operatória. Iniciou dieta polimérica e terapêutica com biológicos 1 mês após o diagnóstico, tendo-se reestabelecido o trânsito intestinal 3,5 meses após a primeira cirurgia.
Discussão: A doença de Crohn pode ser um desafio diagnóstico. A cirurgia pediátrica tem um papel no tratamento das suas complicações como abcessos, fístulas, estenoses e perfurações ou no tratamento de sintomas que não respondem a terapêutica médica. Este é um caso atípico de doença de Crohn atendendo ao conjunto de sinais e sintomas de apresentação e ao diagnóstico realizado em ambiente cirúrgico.