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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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Perfil clínico-epidemiológico da piomiosite numa população de clima temperado: análise retrospectiva a 15 anos

Joana Arcângelo, André Grenho, Rosário Perry, Joana Ovídio, Catarina Gouveia, Susana Norte Ramos, Delfin Tavares

Hospital Dona Estefânia – Centro Hospitalar Lisboa Central, Lisboa, Portugal

 

- V Congresso Nacional de Ortopedia Infantil - XXII Jornadas de Ortopedia Infantil - Hotel Vila Galé Ópera de 23-25 de Março 2017

Objectivos: Caracterizar epidemiologia, diagnóstico e evolução dos doentes com piomiosite,numa população pediátrica,num país de clima temperado.
Métodos: Revisão dos processos clínicos dos doentes com <18 anos diagnosticados com piomiosite,entre 2002 e 2016.Analisaram-se dados demográficos,factores predisponentes,clínica,resultados laboratoriais e radiológicos,local da infecção,tipo,duração e resposta ao tratamento,e complicações.
Resultados: Identificaram-se 11 doentes com idade média de 7,6 anos e predomínio do sexo masculino.Três doentes (27,3%) apresentavam história prévia de trauma muscular,outros três relatavam intercorrência infecciosa recente.Apenas 3 casos ocorreram nos meses mais quentes de verão/primavera.Dor localizada nos grupos musculares afectados (100%),febre (81,8%) e claudicação da marcha (63,6%) foram os sintomas predominantes.Verificou-se envolvimento apenas dos membros inferiores.A duração média dos sintomas,prévia à admissão,foi de 7,5 dias e apenas 36,4% dos casos foram diagnosticados na primeira observação.Todos os doentes apresentavam elevação dos parâmetros inflamatórios,mas apenas em 3 se isolou o microorganismo responsável (Staphylococcus aureus meticilina sensível (n=2) foi o mais comum).A ecografia foi inconclusiva em 54,5% dos casos enquanto a RMN registou uma sensibilidade diagnóstica de 100%.A antibioterapia empírica endovenosa teve uma duração média de 17 dias, a oral de 17,6 dias.Três casos exigiram drenagem cirúrgica de abcessos locais e em dois doentes diagnosticou-se osteomielite local concomitante.Em todos a infecção foi controlada com a terapêutica instituída,sem recorrências identificadas no seguimento.
Conclusões: Embora rara,a piomiosite deve ser considerada na avaliação da dor músculo-esquelética nas crianças de climas temperados.Múltiplas vindas prévias ao SU e o diagnóstico tardio são comuns.Acreditamos que a RMN terá contribuído para o aumento dos casos diagnosticados uma vez que 82% surgiram nos últimos 6 anos do período estudado.Apesar do reduzido número de agentes isolados,antibioterapia empírica e drenagem cirúrgica apresentaram bons resultados e permanecem o tratamento de escolha.
Relevância: A piomiosite é uma infecção primária do tecido muscular esquelético típica de países tropicais.Pela sua raridade e sintomatologia frequentemente inespecífica,pode representar um desafio diagnóstico.