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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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O QUE PODE ESCONDER UMA MASSA ABDOMINAL

Filipa Marujo, Marisa Inácio Oliveira, Pedro Alves, Rui Alves, Catarina Gouveia

1- Unidade de Infecciologia, Área da Pediatria Médica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa
2- Unidade de Infecciologia, Área da Pediatria Médica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa
3- Serviço de Imagiologia, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa
4- Serviço de Cirurgia Pediátrica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa
5- Unidade de Infecciologia, Área da Pediatria Médica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa

Congresso 140 Anos do CHLC – HDE; Comunicação Oral

Resumo:
Introdução: A tuberculose abdominal é uma forma incomum de apresentação extrapulmonar, constituindo menos de 1% de todos os casos.Sendo rara nos países desenvolvidos, tem maior incidência em populações imigrantes e imunossuprimidos.
Relato de caso: Adolescente de 14 anos, saudável, natural de Angola, residente em Portugal há 5 meses. Quatro meses antes do internamento iniciou astenia, adinamia e anorexia, tendo sido detetada anemia microcítica, hipocrómica (Hb 6,0 g/dL), medicada com sulfato ferroso. Associou-se dois meses depois, febre, perda ponderal (8,5%) e dor abdominal. À observação destacava-se aspecto emagrecido, abdómen difusamente doloroso sobretudo nos quadrantes inferiores e massa dura palpável no hipogastro. A ecografia e RM pélvicas mostraram massa pélvica aparentemente quística complexa (120x75x120mm), lateralizada à direita. Radiografia torácica inicial sem alterações parenquimatosas. Analiticamente Hb 8,5x10 g/L, sem leucocitose, PCR 36,1 mg/L, VS 50 mm/h, ADA 83 U/L, CA 125 505,4 U/mL; restantes marcadores tumorais negativos (β-hCG, CEA, CA 19.9, CA 15.3, AFP). Serologias HIV e VDRL negativas. Por suspeita clinica e imagiológica de Adenoma Mucinoso do Ovário Direito, foi proposta excisão cirúrgica. Realizou-se laparotomia por incisão de Pfannenstiel, constatando-se presença de extensa infiltração fibrótica envolvendo a massa pélvica e ansas adjacentes. Optou-se pela biópsia da massa e folheto peritoneal que revelou granulomas não caseosos, sem células neoplásicas. Prova tuberculínica com 13 mm e IGRA T-SPOT positivo. Realizou posteriormente punção aspirativa da lesão pélvica: aspirados 180 ml de líquido amarelo espesso, constituído por neutrófilos, detritos celulares e histiócitos, sem células neoplásicas. Pesquisa de BK negativa no exame directo, mas TAAN e exame cultural do aspirado positivos para Mycobacteriumtuberculosis, multissensível. Dois meses após instituição de terapêutica antibacilarquadrúpla, regista-se redução da massa pélvica (51x31x53mm) e a doente encontra-se assintomática.
Conclusões: Na maioria dos doentes, a tríade de febre, dor abdominal e perda ponderal pode persistir vários meses até estabelecido o diagnóstico, tal como ocorreu neste caso. Os achados clínicos e imagiológicos são pouco específicos, sendo o diagnóstico confirmado por histopatologia, TAAN BK e exames culturais. A massa quística nos exames de imagem correspondia a provável ascite loculada. Esta apresentação, atípica, dificultou o diagnóstico. Uma elevada suspeição permite o diagnóstico mais precoce, diminuindo a morbilidade e mortalidade.

Palavras Chave: Mycobacteriumtuberculosis, massa abdominal,tuberculose abdominal