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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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MENINGITE POR SALMONELLA HEIDELBERG. DIFICULDADES NO TRATAMENTO E NA INVESTIGAÇÃO

Rui Domingues1, Catarina Gouveia2, Luís Varandas2, Ana Isabel Cordeiro1, Conceição Neves1, João Farela Neves1,2,3

1 - Unidade de Imunodeficiências Primárias, Área de Pediatria Médica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa
2 - Unidade de Infecciologia Pediátrica, Área de Pediatria Médica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa
3 - Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos, Área de Pediatria Médica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa

- XV Jornadas Nacionais de Infecciologia Pediátrica

Resumo:
Introdução: A meningite bacteriana é raramente causada por Salmonella e quando ocorre, geralmente é em hospedeiros susceptíveis. Apresenta elevada mortalidade e morbilidade, sendo que as sequelas como a epilepsia, a hidrocefalia e o atraso cognitivo são muito frequentes.
Relato de Caso: Lactente de 3 meses, do sexo feminino, filha de pais consanguíneos, com antecedentes de gastroenterite com bacteriémia a Campylobacterjejuni aos 2 meses. Recorreu ao SU do HDE por febre e irritabilidade. À observação apresentava marcada sensação de doença, fontanela anterior abaulada, sem sinais de discrasia hemorrágica e sem outras alterações no exame objectivo. A punção lombar revelou LCR turvo, com 152 células (PMN), hipoglicorráquia (39% valor sérico) e hiperproteinorraquia (210 mg/dL). Iniciou antibioterapia empírica com ceftriaxone e vancomicina. Em D2 foi transferida para a UCIP por hipertensão intra-craniana. Após isolamento em hemocultura de Salmonellaheidelbergmulti-resistente, substituiu antibioticoterapia empírica por meropenem. Evolução para empiema cerebral, necessitando de ventilação mecânica, terapêutica osmótica, drenagem neurocirúrgica e realização de terapêutica com cloranfenicol e colistinaintra-tecal. Por suspeita clínica e analítica de defeito de IL12RB1, realizou terapêutica com IFNg. Melhoria clínica progressiva, tendo tido alta após 55 dias de internamento sob profilaxia com azitromicina. Tem um eczema atópico de difícil controlo, apresentou um episódio de infecção disseminada por HSV1 aos 10 meses e não teve outras infecções relevantes. Apesar da história sugestiva, o estudo genético não confirmou o defeito de RIL12 e a sequenciação dos outros genes associados a susceptibilidade mendeliana a Salmonella não permitiu identificar a imunodeficiência subjacente. A sequenciação exómica também não foi conclusiva.
Conclusões: Apesar de diagnosticada precocemente e tratada agressivamente, a meningite por Salmonella acarreta elevada morbilidade. A associação a IDP que podem conferir susceptibilidade a agentes intra-celulares tem de ser tida em conta na adequação da estratégia antimicrobiana.

Palavras Chave: Meningite bacteriana,Salmonella heidelberg