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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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MASSA PULMONAR EM PEDIATRIA: DESAFIOS

Catarina Cristina1, Maria Ana Serrado2, Marisa Inácio Oliveira1, Catarina Gouveia1, Luís Varandas1

1 Unidade de Infeciologia do Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE
2 Unidade de Imagiologia do Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE

- XV Jornadas Nacionais de Infecciologia Pediátrica, apresentação sob a forma de Poster

Resumo:
Introdução: Massa pulmonar define-se como uma opacidade pulmonar focal, superior a 3 cm de diâmetro. Rara em pediatria, o diagnóstico diferencial inclui malformações congénitas, doença neoplásica e doenças infeciosas.
Relato de Caso: Lactente de 10 meses, natural e residente em Lisboa; antecedentes pessoais irrelevantes; PNV atualizado (incluindo BCG); contexto epidemiológico de tuberculose pulmonar bacilífera em adultos com quem coabita. No decorrer de viagem a Luanda recorre a clínica médica por quadro clínico de febre alta, tosse produtiva e otorreia à direita, com dois dias de evolução, que motiva internamento e tratamento com amoxicilina/ácido clavulânico, ev, durante cinco dias, com resolução da febre e otorreia. Por persistência da tosse, regressa a Portugal e recorre, no dia da chegada, ao Serviço de Urgência do Hospital. À observação apresentava bom estado geral, otite média aguda direita, sem otorreia e adenopatias cervicais, ACP sem alterações, sem organomegalias; restante observação irrelevante. As análises efetuadas no SU não apresentavam alterações e a radiografia de tórax evidenciou adenopatias hilares e uma hipotransparência lobar superior esquerda arredondada, com cerca de 5 centímetros, ficando internada na Unidade de Infeciologia para esclarecimento etiológico. A TC tórax mostrou uma massa heterogénea (62x51x29mm), bem definida, com calcificações no lobo superior esquerdo, pequeno nódulo calcificado na pirâmide basal esquerda e base pulmonar direita, múltiplas formações ganglionares mediastínicas e hilares calcificadas; ecografia abdominal mostrou múltiplos focos híperecogénicos esplénicos; o teste IGRA revelou-se positivo; a pesquisa de BAAR no suco gástrico foi negativa em três amostras por MO e positiva para M. tuberculosis por TAAN. Iniciou terapêutica anti bacilar quádrupla (HRZE) conforme protocolo. O Centro de Diagnóstico Pneumológico de Lisboa foi informado para rastreio dos contactos.
Conclusão: Nos lactentes as massas pulmonares correspondem, frequentemente, a malformações congénitas. Em Portugal a incidência de tuberculose tem vindo a diminuir, mantendo-se mais elevada nas grandes cidades e em comunidades imigrantes. Ilustra-se um caso raro de massa pulmonar como forma de apresentação de tuberculose pulmonar, chamando-se a atenção para a importância do contexto epidemiológico como pista diagnóstica.

Palavras Chave: Massa pulmonar; Tuberculose