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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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LIGAÇÕES SUSPEITAS… PROCESSAMENTO SENSORIAL E PSICOPATOLOGIA

ASSOCIAÇÃO ENTRE O PERFIL SENSORIAL E O DIAGNÓSTICO PSICOPATOLÓGICO DE UMA AMOSTRA CLÍNICA DE CRIANÇAS ENTRE OS 3 E OS 7 ANOS DE IDADE
Joana Mesquita Reis 1; Rute Moura 1; Luisa Queiroga 1; Cláudia Gomes Cano 1; Sandra Leal 1; Berta Pinto Ferreira 1; Juan Sanchez 2; Pedro Caldeira da Silva 3

1 Interno de Pedopsiquiatria, Área da Mulher, da Criança e do Adolescente, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa;
2 Assistente Hospitalar de Pedopsiquiatria, Área da Mulher, da Criança e do Adolescente, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa;
3 Chefe de Serviço Hospitalar de Pedopsiquiatria, Área da Mulher, da Criança e do Adolescente, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa;

Póster apresentado no Congresso Nacional da Associação de Psiquiatria da Infância e da Adolescência

Introdução: As Perturbações Regulatórias do Processamento Sensorial-PRPS estão associadas a dificuldades do processamento sensorial, condicionando um defeito no planeamento e na produção do comportamento ou movimento, podendo também verificar-se um comprometimento da organização e manutenção da atenção e dificuldades de socialização. Embora esta perturbação constitua uma categoria diagnóstica na DC0-3R, ela ainda não foi incluída no Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais-DSM. Na última edição do DSM, as alterações do processamento sensorial foram apenas incluídas como um dos critérios de diagnóstico das PEA. Contudo, vários estudos têm sugerido que as PRPS existem como uma categoria diagnóstica independente e que as alterações do processamento sensorial estão presentes em outras condições clinicas.
Objetivo: Pretende-se verificar se existe uma associação entre o perfil sensorial e o diagnóstico psicopatológico.
Métodos: Foram incluídas na amostra crianças de 3-7anos de idade que recorreram a uma 1ªconsulta de pedopsiquiatria, entre agosto de 2015 e 2016 (N=245). Às crianças elegíveis foi entregue um perfil sensorial e recolhidos dados do processo clinico. Foram excluídas as crianças que não tinham o perfil sensorial preenchido ou que apresentavam défices sensoriais ou cognitivos (nfinal=35). Os dados foram analisados em SPSS.
Resultados:
• As alterações do processamento sensorial nas crianças com PHDA foram mais comuns do que nas crianças com outros diagnósticos.
• A PHDA está associada a alterações no perfil sensorial nas 3 dimensões: Processamento, Modulação e Resposta Comportamental. Nas Perturbações Afetivas apenas a resposta comportamental apresentou diferenças significativas.
• Encontrou-se uma associação entre o diagnóstico de PHDA e a existência de diferenças significativas na procura sensorial (p=0,036*).
• As dificuldades de aprendizagem estão associadas a alterações na modulação do input sensorial que afeta as respostas emocionais (p=0,029*).
• Não foi encontrada uma relação estatísticamente significativa entre a perturbação de ansiedade e o aumento da sensibilidade sensorial.
Conclusões: Este estudo alerta para a importância do clínico ter em atenção os aspetos sensoriais eventualmente presentes em crianças com outros diagnósticos psicopatológicos, devendo ser ponderada a necessidade de avaliação e intervenção dirigida a estas alterações. Mais estudos são necessários de modo a compreender-se se as alterações do processamento sensorial devem ser incluídas como um critério diagnóstico associado a outros diagnósticos.

Palavras Chave: Perturbação Regulatória do Processamento Sensorial; Perfil Sensorial