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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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LAPAROSCOPIA NO TRATAMENTO DA HÉRNIA UMBILICAL EM ADOLESCENTES OBESOS – A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO

Ema Santos1,3, Maria Knoblich1, Nuno Borges2, Sara Rodrigues1, Catarina Ladeira1, Rui Alves1, João Pascoal1

1 Serviço de Cirurgia Pediátrica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central
2 Unidade de Tratamento Cirúrgico da Obesidade e Doenças Endócrinas, Serviço de Cirurgia Geral, Hospital Curry Cabral, Centro Hospitalar Lisboa Central
3 Serviço de Cirurgia Pediátrica, Hospital Central do Funchal

- Congresso Nacional da Sociedade Portuguesa de Cirurgia Pediátrica 2017 

Introdução: A obesidade na criança tornou-se um problema de saúde pública dado o aumento progressivo da sua incidência e prevalência a nível mundial. Não só acarreta o aumento de doenças relacionadas com a obesidade, como desafia o tratamento cirúrgico de patologias frequentes na cirurgia pediátrica pelas técnicas convencionais. A hérnia umbilical é um defeito da parede abdominal frequente em idade pediátrica, estimando-se que esteja presente em cerca de 10% das crianças. Em adolescentes e adultos, está muitas vezes relacionado com condições que acarretam o aumento da pressão intra-abdominal, nomeadamente gravidez, obesidade ou obstipação.
Caso clínico: Adolescente de 16 anos, sexo masculino, obeso (IMC 39Kg/m2;> percentil 95), seguido em múltiplas consultas no Hospital Dona Estefânia por patologia do foro respiratório, ortopédico, endocrinológico, psiquiátrico e obstipação crónica. Submetido a herniorrafia umbilical aos 8 anos e apendicectomizado aos 12 anos. História de onfalites de repetição tratadas com antibioticoterapia e drenagem cirúrgica; e dor peri-umbilical, com vários meses de evolução, que limitava a sua atividade diária. Realizou ecografia e tomografia computorizada abdominais que mostraram pequena hérnia umbilical recidivada. Com o apoio da Unidade de Cirurgia Bariátrica do Hospital Curry Cabral, foi realizada correção cirúrgica de hérnia umbilical com colocação de prótese dupla face 15x10 cm intraperitoneal por laparoscopia, utilizando 3 trocares nos quadrantes esquerdos do abdómen e fixação da prótese com pontos transfasciais e fixação peritoneal. A cirurgia decorreu sem intercorrências. No pós-operatório tardio, referia queixas de dor para-umbilical direita. Ecografia abdominal mostrou manutenção da integridade da prótese, sem sinais de perda da sua integridade ou rejeição. Foi realizada remoção cirúrgica do ponto de fixação transfascial para-umbilical direito com melhoria das queixas álgicas.
Conclusão: A abordagem da hérnia umbilical em crianças obesas é um desafio cirúrgico dada a sua inerente taxa de recidiva pelas técnicas convencionais. O uso de material sintético em idade pediátrica é controverso, mas diminui o risco de recidiva do defeito herniário e, consequentemente, risco de encarceramento de conteúdo abdominal. O recurso à técnica por laparoscopia é uma alternativa segura e eficaz porque garante fixação da prótese além das margens do defeito fascial, além das restantes vantagens inerentes à cirurgia minimamente invasiva.

Palavras-chave: hérnia umbilical; obesidade infantil; tratamento minimamente invasivo; prótese