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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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INFEÇÃO VIH EM IDADE PEDIÁTRICA - PORQUÊ AINDA NOVOS CASOS?

Ana Paula Rocha1; Madalena Borges1; Tiago Milheiro Silva1; Conceição Neves2; Flora Candeias1

1- Unidade de Infeciologia, Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa
2- Unidade de Imunodeficiências, Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa

- 15º Encontro Nacional de Atualização em Infeciologia

Resumo:
Introdução: A transmissão mãe-filho é a mais frequente na infeção VIH na criança e, apesar das medidas de prevenção atuais, continuam a surgir crianças infetadas.
Objetivo: Analisar os novos casos diagnosticados/em seguimento num Hospital Terciário.
Métodos: Estudo descritivo com consulta dos processos clínicos dos doentes diagnosticados no período de janeiro/2016 a junho/2017 (18 meses). Foram analisados dados sociodemográficos, epidemiológicos e clínicos com recurso a SPSS®.
Resultados: Identificados 8 doentes (6 do sexo feminino), idade diagnóstico mediana (M) 15 meses, 5 naturais de PALOP. Sete doentes com transmissão por via mãe-filho sendo que apenas num caso o diagnóstico foi realizado durante a gravidez (3º trimestre); 2 mães tinham serologias negativas no 3º trimestre e nas restantes 4 a gravidez não foi vigiada. Destas, 3 eram de PALOP e 1 era portuguesa. A mãe diagnosticada na gravidez iniciou terapêutica antirretrovírica (TAR) às 36 semanas, o parto foi por cesariana eletiva e o recém-nascido realizou profilaxia neonatal (TAR tripla). Antes do diagnóstico, 2 doentes apresentavam clínica compatível com infeção VIH, com infeções respiratórias recorrentes, má progressão ponderal e anemia. O diagnóstico foi realizado em internamento em 5 doentes, 3 das quais cumprindo critérios de SIDA à data do diagnóstico. Todas as crianças infetadas iniciaram TAR tripla, logo após o diagnóstico. Antes do início da TAR a carga viral (CV) M era de 268 450 e os CD4 M de 2068, com um nadir CD4 M de 1063 (mín 9, máx 4078). CV M atual de 119 (4 com CV <1000).
Conclusões: O investimento na ajuda aos países carenciados, onde a infeção VIH é mais prevalente, é fulcral. A ausência de diagnóstico precoce nos doentes de PALOP tem importantes consequências médicas, sociais e financeiras. Apesar das recomendações adotadas para a prevenção da transmissão da infeção VIH na criança, os novos casos são ainda uma realidade atual. Doentes provenientes de PALOP devem ser sistematicamente rastreados.

Palavras Chave: Infeção VIH, novos casos VIH, transmissão mãe-filho