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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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IMPORTÂNCIA DA NUTRIÇÃO NA DOENÇA HEPÁTICA COLESTÁTICA

Sara Nóbrega1, António Pedro Campos1, Mónica Pitta Grós2, Cristina Borges3, Marta Amorim4, Ana Isabel Dias5, Raul Silva1

1 - Unidade de Cuidados Especiais Respiratórios e Nutricionais, CHLC, EPE
2 - Unidade de Nutrição, CHLC, EPE
3 - Unidade de Cirurgia Pediátrica, CHLC, EPE
4 - Unidade de Genética, CHLC, EPE
5 - Unidade de Neurologia, CHLC, EPE

- Comunicação oral em reunião nacional: congresso da APNEP dias 27-28/3/2017 no Porto.

Resumo:
Abordaremos a relevância da nutrição nos doentes com doença hepática. Iniciaremos com a exposição de um caso ilustrativo de desnutrição grave que explorou as várias vias de abordagem de recuperação nutricional por via entérica e parentérica desde o diagnóstico até ao transplante hepático.
A desnutrição pode ocorrer em várias doenças hepáticas, mas apresenta especificidades no doente com colestase. O protótipo é a atrésia das vias biliares, a causa mais comum de colestase em idade precoce e principal indicação para transplante hepático em pediatria. 
A desnutrição nestes doentes é multifatorial e relaciona-se com: anorexia, intolerância alimentar/ vómitos, organomegálias, ascite, aumento das necessidades energéticas, utilização anormal dos substratos energéticos, com lipólise preferencial e balanço azotado negativo. Para além disso, é crucial a diminuição/ ausência de sais biliares no lúmen intestinal com má absorção de gorduras, importante fonte energética nestas idades.
É fundamental prevenir a desnutrição e trata-la de forma agressiva desde as fases iniciais, pois o estado nutricional da criança com doença hepática progressiva é um dos critérios determinantes do prognóstico antes e depois do transplante hepático.
Quando em risco de desnutrição, estes doentes podem ser otimizados usando preferencialmente a via oral ou entérica. A dieta pode ser suplementada com dietas modulares adequadas e com suplementos vitamínicos, nomeadamente vitaminas lipossolúveis. Em certas ocasiões, apesar da otimização nutricional, a via entérica não é suficiente ou eficaz e pode ser necessário recorrer à nutrição parentérica com os riscos de sépsis e de colestase agravada, inerentes à sua utilização. Esta poderá ser um opção a considerar, em situações de ponte, por exemplo, antes do transplante hepático.
Assim, o estado nutricional dos doentes com hepatopatia é um fator determinante no prognóstico da doença hepática. A desnutrição rebelde pode, por si só, ser um fator decisivo para avançar para o transplante hepático, mas também acrescentar dificuldades técnicas a este. Desejamos que o caso a apresentar e os princípios teóricos sejam ilustrativos e úteis na abordagem deste tema.

Palavras Chave: desnutrição, doença hepática crónica, nutrição entérica e parentérica