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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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IDADE DE TRANSIÇÃO E PSICOPATOLOGIA – QUAL O PAPEL DO PEDOPSIQUIATRA?

Ivo Peixoto1; Pedro Dias1; Paula Vilariça1

1- Área de Pedopsiquiatria, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE, Lisboa

- XXVIII Encontro Nacional da Associação Portuguesa de Psiquiatria da Infância e da Adolescência – Fazer Bem Olhando a Quem… Boas Práticas em Saúde Mental Infanto-Juvenil (Poster)
- Reunião de Formação Conjunta – Pedopsiquiatria- Dezembro de 2017 (Comunicação oral)

Resumo:
Introdução: A transição da adolescência para a vida adulta é caracterizada por uma série de marcos de desenvolvimento nas áreas da autonomia e independência, da diferenciação individual e familiar, ao nível da educação e emprego e das relações inter-pessoais. Em adolescentes ou jovens adultos diagnosticados com uma patologia mental antes ou durante esta faixa etária, os desafios na aquisição e consolidação destas competências são ampliados, uma vez que o amadurecimento de vários aspetos emocionais e psicossociais está muitas vezes protelado ou comprometido. Para além disso o contexto sociocultural atual tem condicionado transições para a vida adulta menos previsíveis e mais precárias. A área de conhecimentos e de atuação do pedopsiquiatra é fundamental para a abordagem das particularidades destas idades.
Objetivos e Métodos: Fundamentar o papel do pedopsiquiatra quanto ao reconhecimento e intervenção em saúde mental e psiquiatria em idade de transição. Revisão não sistemática da literatura em bases de dados científicas (MEDLINE, PsycINFO) com os termos “Transitional Age Youth” e “Child Psychiatry”, complementada com outra literatura de relevo.
Resultados: Existem múltiplas linhas de evidência que reforçam o papel do psiquiatra da infância e adolescência em idade de transição: a familiaridade com as transições ao longo do desenvolvimento infanto-juvenil; o reconhecimento de continuidades e descontinuidades no funcionamento mental e na psicopatologia e a valorização da individualidade. Estes fatores permitem-lhe o papel crucial de reconhecer sinais e sintomas inaugurais de doença psiquiátrica em instalação, compreender fatores de risco e proteção que podem prevenir ou promover transições bem-sucedidas para a idade adulta, estar ciente das mudanças e exigências sociais e culturais atuais e intervir de forma a minimizar o impacto da doença mental nestas idades. 
Conclusão: Este período de desenvolvimento merece um reconhecimento mais claro pelo pedopsiquiatra. Estudos futuros permitirão identificar mediadores que melhorem o trajeto destes jovens a longo prazo.

Palavras Chave: Psicopatologia; Idade de transição; Pedopsiquiatria