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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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HEPATITE B REPLICATIVA-SERÁ O OVO OU A GALINHA?

Pedro Oom Costa1, Tiago Milheiro Silva1, Isabel Afonso2, Catarina Gouveia1

1- Unidade de Infecciologia, Área de Pediatria Médica, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa
2- Unidade de Gastrenterologia, Área de Pediatria Médica, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa

- Congresso Multiprofissional-Hospital de Dona Estefânia

Introdução A infecção pelo vírus da hepatite B (VHB) tem elevada prevalência na população mundial e associa-se a importante morbilidade e mortalidade, A vacina confere imunidade durante pelo menos 10 a 25 anos e tem uma eficácia estimada de 90%.
Relato de caso Adolescente de 16 anos, filha de mãe AgHBs positiva, com imunoglobulina específica e 1ªdose da vacina para Hepatite B ao nascer tendo posteriormente completado esquema vacinal. Quatro meses antes do internamento fora vitima de abuso sexual com penetração vaginal; apresentava na altura AgHBs negativo sem doseamento de Ac antiHBs nem administração de imunoglobulina ou dose extra vacinal. Recorreu à urgência por astenia, náuseas e icterícia. Analiticamente havia elevação das transaminases e a serologia foi compatível com hepatite B replicativa [AgHBs positivo, AgHBe positivo, Ac antiHBe positivo e Ac antiHBc positivo (IgM)] com carga viral de 51200UI/mL. Excluíu-se infecção por vírus de hepatite A, C, D e E. A positividade do Ac antiHBe não permite excluir reactivação de infecção crónica mas a a profilaxia neonatal (eficácia de 90-98% na prevenção de transmissão vertical) torna esta hipótese menos provável. A falência vacinal também considerada deixa por explicar os valores do Ac antiHBs 38UI/L à altura do diagnóstico (imunidade protetora com níveis > 10UI/mL). Embora a prevalência de infecção por vírus mutante seja baixa, esta hipótese não pode deixar de ser considerada. A evolução foi favorável, com melhoria clínica e analítica progressiva. Após um mês verificou-se seroconversão com negativação do AgHBs e elevação do Ac antiHBs para 155 UI/mL.
Conclusões O perfil serológico dos marcadores da infecção pelo vírus da hepatite B nem sempre permite a distinção entre infecção aguda e reactivação de infecção crónica, relevante pelas implicações no prognóstico e seguimento do doente. Adicionalmente, na prevenção da doença, a avaliação serológica com Ac antiHBs pode ser fundamental em caso de abuso sexual por indivíduo AgHBs positivo ou estado serológico desconhecido.

Palavras Chave: Ac anti-HBs, falência vacinal hepatite B