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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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FRATURA PATOLÓGICA VERTEBRAL. QUE ETIOLOGIA?

Ana Paula Rocha1, Susana Ramos2, Flora Candeias1, Maria João Brito1, Catarina Gouveia1

1- Unidade de Infeciologia, Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa
2- Serviço de Ortopedia, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa

-Congresso Multiprofissional 140 anos do CHLC – HDE, 28 e 29 de setembro de 2017

Resumo
Introdução:As fraturas patológicas na idade pediátrica podem ter várias etiologias como lesões tumorais benignas ou malignas, infeções, doenças metabólicas, neuromusculares, endocrinológicas ou uma causa iatrogénica. As fraturas vertebrais são raras neste grupo etário e, sobretudo se causadas por traumatismo minor, impõem a exclusão de doença focal ou sistémica subjacente. 
Relato de caso: Adolescente de 15 anos, de origem africana, natural e residente na Guiné, com lombalgia com 1 mês de evolução após traumatismo ligeiro. Radiografias sem alterações mas TC coluna com lesão lítica de L1, com fratura patológica. A RM confirmou a fratura e identificou massa epidural e paravertebral com focos hipocaptantes, e imagens multifocais com captação de contraste em outras vértebras podendo corresponder a osteomielite multifocal com abcesso ou fratura resultante de granuloma, mas o hipossinal da medula óssea em T1 e T2 era sugestivo de persistência de medula vermelha por anemia crónica ou infiltração sugeria doença linfo ou hemoproliferativa. Da investigação realizada destaca-seradiografia tórax com hipotransparência heterogénea paracardíaca esquerda com apagamento do bordo cardíaco, VS 33 mm, eletroforese de proteínas com pico em alfa 2, ADA 48 U/L, prova tuberculínica positiva com 40mm e IGRA positivo, realizando-se então o diagnóstico de tuberculose (TB) óssea. A broncofibroscopia revelou inflamação grau II/III e TC torácica com condensação parenquimatosa e conglomerado hilar com micronodularidades periféricas subpleurais. Foi medicado com isoniazida, rifampicina, etambutol e pirazinamida durante 12 meses. Ocorreu complicação com colapso vertebral progressivo de L1 pelo que fez adicionalmente tratamento cirúrgico.
Conclusões: A TB da coluna vertebral reporta-se em até 50% da TB osteoarticular. Os doentes são maioritariamente originários de países endémicos. Neste caso, a apresentação da doença foi pouco comum, com coexistência de patologia óssea e pulmonar. A fratura patológica e a sintomatologia indolente devem sempre ser contempladas para o diagnóstico de tuberculose, sobretudo em doentes oriundos de países endémicos.

Palavras Chave: Fratura patológica; Tuberculose óssea