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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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EXPERIÊNCIAS DO TIPO PSICÓTICO NA INFÂNCIA E NA ADOLESCÊNCIA: QUAL O SEU SIGNIFICADO?

Sara Pires (1), Diana B.Vieira (1), Maria Castello Branco (1)

1- Interna de Especialidade de Psiquiatria da Infância e da Adolescência, Área da Mulher da Criança e do Adolescente do Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central.

Reunião Nacional

Resumo:
Introdução
As experiências do tipo psicótico (ETP) são comuns na população geral, nomeadamente na faixa etária pediátrica, e caracterizam-se por alucinações e delírios subclínicos. Alguns estudos sugerem tratar-se de um fenótipo do espectro da psicose. O seu significado clínico ainda é pouco compreendido, no entanto, acredita-se que poderão estar associadas ou constituir um fator de risco para o desenvolvimento de psicopatologia.
Objetivos
Este trabalho de revisão tem por objetivo identificar a prevalência e fatores de risco demográficos, ambientais e genéticos para o desenvolvimento de ETP na infância e na adolescência, bem como indentificar a psicopatologia associada a estes episódios.
Métodos
Revisão Sistemática de estudos com data de publicação até Setembro de 2017, em Português, Inglês ou Espanhol, que avaliam a prevalência e os fatores de risco para o desenvolvimento de ETP na infância e na adolescência, bem como psicopatologia associada, através da pesquisa nas plataformas PubMed, Web of Science e PsychINFO, com as palavras-chave "Psychotic-like experiences", “children”, "adolescents" e "psychopathology".
Resultados
Foram incluídos nesta revisão um total de 11 artigos. A prevalência de ETP na população geral é cerca de 8%. Existem fatores de risco demográficos (crianças, baixo nível educacional, desemprego, baixo rendimento, solteiro, sexo masculino), ambientais (abuso de substâncias, stress, ambiente urbano) e genéticos (familiares de doentes com ETC, esquizofrenia ou défice cognitivo) identificados como predisponentes ao desenvolvimeno de ETC. A taxa de conversão desta sintomatologia para psicose é cerca de 0,6%/ano, havendo associação com outras doenças psiquiátricas.
Conclusões
No futuro será importante dar continuidade à investigação já realizada, no sentido de obter uma melhor compreensão da origem das ETC e o seu significado, corroborando ou refutando as hipóteses já apresentas.

Palavras Chave: Psicose, Psicose-like, Infância, Adolescência.