imagem top

2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

logo chlclogo HDElogo anuario

CONTROVÉRSIAS SOBRE PROFILAXIA ANTIBIÓTICA NO REFLUXO VESICO-URETERAL

Margarida Abranches

Unidade Nefrologia Pediátrica, Área da Mulher, da Criança e do Adolescente, CHLC, EPE

- Diálogos com Cirurgia Pediátrica, Auditório da Ordem dos Médicos, 3 de Junho 2017, Lisboa (oradora).

Resumo:
A quimioprofilaxia da infecção do trato urinário (ITU) associada à existência de refluxo vesico-ureteral é uma “velha” questão com defensores e detratores que mantêm acesa a controvérsia ao longo de décadas. Para quem é vantajosa a quimioprofilaxia e a quem é prejudicial, ou para quem o prato da balança desequilibra para o lado adverso, eis a questão!
Na primeira década deste século, foram publicadas as Guidelines da NICE (National Institute for Health and Clinical Excellence) com recomendações justificadas com base no grau de evidência científica existente. Não isentas de polémica, estas recomendações chamam a atenção para a importância de compreender que tipo de situação estamos a tratar (1ª ITU, complicada, não complicada , recorrente, bacteriuria assintomatica…). A quimioprofilaxia deve ficar reservada para grupos e situações específicos, tais como ITU recorrentes, alterações ao fluxo urinário decorrentes de uropatias malformativas, procedimentos invasivos e até causas funcionais como a disfunção vesico-intestinal.
Outro grupo importante de informação advém dos estudos Cochrane, revisões sitemáticas de bases de dados científicos que, ultrapassado o viés da dificuldade de uniformização de critérios, fornecem uma visão compreensiva e abrangente ao longo de décadas. Destes estudos vem informação dos riscos e beneficios do tratamento com antibióticos em baixa dose e por tempo prolongado. Tendo como horizonte os riscos/beneficios da quimioprofilaxia, é chegada a altura de olhar “para além da infecção”. Entrar no universo dos conceitos de microbiota, metagenoma e microbiota. Apreender até onde essa erudição nos pode levar em termos da compreensão dos mecanismos patogénicos da infecção e das estratégias de tratamento futuras, tais como, vacinas anti-adesão bacteriana (já em ensaios de fase1), vacinas anti-toxinas bacterianas, anti-protease e anti-sideróforos.
A planificação de uma visão estratégica futura beneficia da compreensão das decisões do passado e da investigação do presente. Na ITU, o futuro parece estar menos “anti”biótico e mais “pro”biótico ou mesmo “sim”biótico.

Palavras Chave: infeção urinária, quimioprofilaxia, refluxo vésico-uretral