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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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CONTRIBUIÇÃO DO TESTE DO HIDROGÉNIO EXPIRADO, MARCADORES RADIO-OPACOS E MANOMETRIA ANORECTAL PARA A COMPREENSÃO DA FISIOPATOLOGIA DA OBSTIPAÇÃO CRÓNICA FUNCIONAL EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Filipa Santos1, Sara Nóbrega1, Ana Paula Petinga2, Ana Nunes2, Marta Alves3, Daniel Virella3, Gonçalo Cordeiro Ferreira1

1 - Unidade de Gastrenterologia- hepatologia e Nutrição Pediátrica, Hospital Dona Estefânia, CHLC, EPE
2 - Serviço de Imagiologia do Hospital Dona Estefânia, CHLC, EPE
3 - Centro de Investigação, CHLC, EPE

Poster em reunião internacional: 21º Congresso Latino Americano, 12º Congresso Ibero Americano de Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica e XXX Reunião da Sociedade Portuguesa de Gastroenterologia Hepatologia e Nutrição Pediátrica de 22 a 24 de Junho de 2017, no Centro de Congressos da Alfândega do Porto.

Resumo:
Introdução:
A obstipação funcional é muito comum. Existe frequentemente um distúrbio da defecação, mas pode ocorrer um tempo de trânsito lento, que poderá depender do estadio pubertário.
Objetivo:
Compreensão da fisiopatologia da obstipação crónica em crianças e adolescentes, através do estudo funcional do intestino delgado, cólon e região ano-rectal.
Material e Métodos:
Estudo prospetivo de doentes entre os 5-18 anos com critérios de obstipação funcional (ROMA III). Foram avaliados: estadio de Tanner, tipo obstipação (escala Bristol), complicações, terapêutica, frequência de fast-food, desporto e tempo de ecrã. Foram avaliados: tempo de transito cólico total ao 4º e 7º dia (TTC), determinado com marcadores radio-opacos, através do método de Metcalf adaptado; tempo de trânsito do delgado (TTD - teste H2 com lactulose) e manometria ano-rectal.
Resultados:
Recrutados 30 doentes, com idade mediana de 10 anos (P25=7;P75=12), 21 do sexo masculino e 7 púberes. A maioria (83%) apresentou obstipação com mais de 12 meses. Mais de metade (56%) tinha fezes 1-2 de Bristol. Apresentavam complicações: soiling (17/30), rectorragias (10/30) e fecaloma (17/30). O TTC mediano foi de 62,4h (mín 21,6h e máx 144h), 50% com TTC lento (> 62h). O TTD mediano foi de 97,5 minutos (mín 45 , máx 165 min), a maioria inferior a 120 minutos.  O volume do início do Reflexo recto-anal inbidor (RRAI) teve uma mediana de 10 ml (mín 5, máx 30). O volume do Reflexo recto-anal inbidor completo (RRAI-completo) teve uma mediana de 25 ml (mín 10, máx 70). Mais de metade (57%) dos casos não referiu sensibilidade após distensão rectal máxima. Não houve diferenças no TTC entre os géneros. Não houve correlação entre o TTC e o TTD, ou com o início e a totalidade do RRAI.
Conclusão: Mais de metade da amostra apresentou mega-ampola funcional, tendo metade TTC lento. Esta primeira análise permitiu demonstrar exequibilidade deste protocolo e boa adesão dos doentes.

Palavras Chave: obstipação, marcadores radio-opacos, manometria ano-rectal