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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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CONSULTA DE NEUROLOGIA FETAL DO HOSPITAL D. ESTEFÂNIA – CHLC. EXPERIÊNCIA DE 9 ANOS

Eulália Calado1; Susana Santos2; Filipa Marçal3; Carla Conceição4; Luísa Martins5

1- Serviço de Neurologia Pediátrica, Área de Pediatria Médica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, Lisboa
2- Serviço de Pediatria, Área de Pediatria Médica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, Lisboa
3- Serviço de Pediatria Médica do Hospital do Funchal
4- Serviço de Neurorradiologia, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, Lisboa
5- Serviço de Ginecologia-Obstetrícia da Maternidade Dr. Alfredo da Costa, Centro Hospitalar Lisboa Central, Lisboa

XI Congresso da Sociedade Portuguesa de Neuropediatria, 16-17 Fev 2017, Porto (comunicação oral)
Resumo publicado na Revista Sinapse, vol17, n1, Maio 2017

Introdução: A qualidade crescente das ecografias morfológicas pré-natais e a possibilidade de recurso à RMN fetal, aumentaram significativamente, nos últimos anos, a acuidade diagnóstica das malformações fetais do SNC. O progressivo envolvimento do neuropediatra nas complexas decisões multidisciplinares, que podem levar à interrupção da gravidez, é uma realidade em todos os Serviços/Unidades de Neuropediatria.
Objectivos: Analisar a casuística de 9 anos da consulta de Neurologia Fetal do HDE, partilhar resultados e refletir sobre os mesmos. 
Metodologia: avaliação retrospectiva duma série de casos, referentes a consultas de primeira vez de Neurologia Fetal, realizadas no HDE entre Jan.2008 e Dez.2016 (9a nos). As variáveis estudadas foram: hospital de origem, idade maternal, paridade, idade gestacional, tipo malformação SNC e evolução da gravidez.
Resultados: As consultas de Neurologia Fetal têm aumentado progressivamente, verificando-se no último ano, relativamente ao anterior, um aumento de 19 para 28. Num total de 129 grávidas (72% provenientes da MAC) a mediana de idades foi de 32 anos (14-45) com 27% de idade superior a 35 anos e 43% primíparas. A mediana de idade gestacional, na altura do diagnóstico, forma 27,5 semanas (19-36), com 58% das mulheres tendo idade gestacional superior 24 semanas. As malformações do SNC mais frequentes forma a ventriculomegália (36), a agenesia do corpo caloso (34), a malformação da fossa posterior (23) e o disrafismo (18). Em 38% (49) houve interrupção da gravidez.
Conclusões: Neste estudo verifica-se que as mulheres engravidam tarde e quase metade pela primeira vez, o que ainda mais agrava a decisão duma interrupção. A idade tardia do diagnóstico da malformação do SNC, muitas vezes provocada por disfunção do Serviço Nacional de Saúde, retira a muitos casais a opção de escolha. A complexidade destas situações obriga a que o neuropediatra envolvido tenha formação em Neurologia Fetal e faça parte duma equipa multidisciplinar experiente.