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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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CARACTERIZAÇÃO DE DOENTES SENSIBILIZADOS A rPRU P 3

Nicole Pinto1, Mariana Lobato1, Vitória Matos2, Pedro Carreiro Martins1,3, Paula Leiria Pinto1,3

1 - Serviço de Imunoalergologia, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, E.P.E., Rua Jacinta Marto, Lisboa, Portugal
2 - Serviço de Patologia Clínica, Hospital de São José, Centro Hospitalar de Lisboa Central, E.P.E., Rua José António Serrano, Lisboa, Portugal
3 - CEDOC, Integrated Pathophysiological Mechanisms Research Group, Nova Medical School, Campo dos Mártires da Pátria, 1150-190 Lisboa, Portugal

- 38ª Reunião Anual da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, Figueira da Foz, 6 a 8 de Outubro de 2017
- Apresentação sob a forma de poster; publicação de resumo
- Reunião Nacional
- Premiado: 2º melhor poster

Introdução: A alergia a frutos da família das rosáceas é uma causa frequente de alergia alimentar, particularmente nos países Mediterrânicos. As proteínas transportadoras de lípidos (LTP) são o alergénio mais relevante em alimentos de origem vegetal podendo associar-se a reações sistémicas graves.
Objetivo: Avaliar as caraterísticas clínicas dos doentes seguidos em consulta de Imunoalergologia sensibilizados à LTP recombinante do pêssego, através do doseamento sérico da rPru p 3.
Métodos: Tratou-se de um estudo retrospetivo, que incluiu todos os doentes com história de alergia a alimentos de origem vegetal, sensibilizados a rPru p 3 (≥ 0,35 kUA/L), avaliados entre Junho de 2012 e Junho de 2017.
Resultados: Foram avaliados 53 doentes, sendo 55% do género feminino. A mediana das idades foi de 18 anos (P25-P75: 11-26 anos). A mediana dos valores de rPru p 3 foi de 6,6 kUA/L (P25-P75: 2,3 a 13 kUA/L). Em termos de história de alergia a alimentos, 38 eram alérgicos ao pêssego (em 12 de forma isolada), 25 a outras rosáceas, 30 a frutos de casca rija (em 6 de forma isolada) e um a leguminosas. Onze doentes (21%) eram simultaneamente alérgicos ao pêssego, outras rosáceas e frutos de casca rija. As apresentações clínicas mais frequentes foram anafilaxia (em 23 casos) e síndrome pólen-alimento (noutros 23). As sensibilizações a aeroalergénios mais frequentes foram aos pólenes de gramíneas e de oliveira (em 51% e 40%).
Quando comparados, os doentes sensibilizados a pólen de gramíneas e de oliveira apresentaram valores de rPru p 3 superiores aos não sensibilizados (p= 0,019 e p=0,072, respetivamente). Os níveis de rPru p 3 não se associaram com a idade, gravidade da reação, número de alimentos envolvidos nem com história pessoal de asma ou rinite alérgica. Não se identificaram variáveis associadas com a gravidade da reação.
Conclusões: Na nossa amostra, uma proporção significativa de doentes alérgicos a alimentos de origem vegetal e sensibilizados a LTP é alérgico a mais do que um alimento. A cossensibilização a pólenes associou-se com níveis superiores de rPru p 3. Contudo, valores superiores de rPru p 3 não parecem associar-se com a gravidade da reação.

Palavras Chave: Alergia a rosáceas, LTP, pêssego, rPru p 3