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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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BORRELIOSE DE LYME EM IDADE PEDIÁTRICA

Madalena Borges1, Catarina Gouveia1, José Pedro Vieira2, Isabel Lopes de Carvalho3, Maria João Brito1

1 - Unidade de Infeciologia, Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa
2 - Unidade de Neuropediatria, Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa
3 - Departamento de Doenças Infeciosas, Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, Lisboa

- 18º Congresso Nacional de Pediatria, Poster em Sala

Resumo:
Introdução:A borreliose é uma entidade rara na idade pediátrica. Pode afetar vários órgãos, nomeadamente pele, sistema nervoso, articulações e coração.
Objectivos:Caracterizar a borreliose num hospital pediátrico terciário.
Métodos: Análise descritiva dos doentes com borreliose confirmados por ELISA e immunoblot em amostras de sangue e/ou líquor entre Junho de 2009 e 2017 (8 anos). Analisaram-se dados epidemiológicos, clínica, terapêutica e evolução.
Resultados: Identificaram-se 20 doentes com uma mediana de idades de 7 anos (mín18M; máx16A), sem predomínio de sexo. Ocorreram 2,5 casos/ano com um predomínio em 2010 e 2011 (50%), nos meses de Março a Maio (50%). Os diagnósticos cursaram com doença neurológica 11/20 (55%), osteoarticular 4/20 (20%), quadro febril 3/20 (15%) e 2 com doença de Kawasaki e S Steven-Johnson. A antibioticoterapia foi doxiciclina/amoxiciclina na doença osteoarticular e quadro febril e ceftriaxone na doença neurológica. Na neuroborreliose (6) e doença neurológica pós infeciosa - encefalomielite aguda disseminada (1), esclerose múltipla (1), mielite transversa (1), S Guillain-Barré (1) e coreia (1) realizou-se adicionalmente metilprednisolona (7), Igev (5) e plasmaferese (1). A demora média do internamento foi 18,6 dias (mediana 10,5 dias). Registaram-se sequelas em 6/20 (30%) doentes: hemiparesia (3), alterações da motricidade (1), incontinência de esfíncter (1) e alterações da sensibilidade (1).
Conclusões: A forma neurológica descrita como rara foi a mais frequente neste estudo. A borreliose pode causar doença neurológica mas também pós-infeciosa pelo que a sua etiologia deve sempre ser investigada. O diagnóstico e tratamento atempados são fundamentais para o prognóstico.

Palavras Chave: borreliose, neuroborreliose