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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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ALERGIA AO BÁLSAMO GENGIVAL NUM LACTENTE COM ALERGIA ÀS PROTEÍNAS DO LEITE DE VACA

Mara Fernandes2, Ana Palhinha1, David Pina Trincão1, Miguel Paiva1, Paula Leiria Pinto1

1 - Serviço de Imunoalergologia, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, E.P.E
2 - Unidade de Imunoalergologia, Hospital Dr. Nélio Mendonça, SESARAM EPE, Funchal

- 38ª Reunião Anual da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, Figueira da Foz, 6 a 8 de Outubro de 2017
- Apresentação sob a forma de poster; publicação de resumo
- Reunião Nacional

Resumo:
Introdução: A alergia às proteínas do leite de vaca (APLV) constitui a alergia alimentar mais frequente em crianças com idade inferior a três anos. A evicção das PLV é um procedimento de difícil cumprimento tendo em conta a utilização generalizada do leite de vaca na nossa dieta. Mas os cuidados na evicção das PLV não se devem restringir apenas aos alimentos.
Caso Clínico: Os autores descrevem um caso clínico de um lactente de 7 meses de idade, sexo masculino, referenciado à consulta de imunoalergologia por suspeita de APLV. Dos antecedentes pessoais salienta-se o aleitamento materno exclusivo até aos 4 meses. Nesta idade, imediatamente após a 1ª toma de leite adaptado (Aptamil® 1), desenvolveu episódio de urticária perioral, com resolução espontânea em 30 minutos. Apresentou vários episódios subsequentes reprodutíveis, sem queixas de outros sistemas. Por este motivo interrompeu esta fórmula e iniciou leite parcialmente hidrolisado alternado com aleitamento materno, com boa tolerância. Foi realizado doseamento de IgE específica para leite de vaca e fracções que foi negativo. Aos 7 meses, imediatamente após a aplicação de bálsamo gengival, iniciou episódios de urticária perioral reprodutíveis, idênticos aos observados com PLV, com resolução espontânea em < 60 minutos. Na consulta de imunoalergologia constatou-se que nos ingredientes do bálsamo estavam incluídas proteínas do leite sob designação em língua inglesa de “Lactis protein”. O lactente realizou testes cutâneos por picada (TCP) para leite e suas frações proteicas e com o bálsamo, que foram positivos para beta-lactoglogulina, alfa-lactalbumina e para o bálsamo. Foram realizados TCP com o gel em 5 controlos atópicos, todos negativos. Foi dada indicação para evicção absoluta de PLV e dieta com leite extensamente hidrolisado como alternativa ao leite materno.
Conclusão: Apresentamos um caso de um lactente com diagnóstico de APLV, com reacção alérgica a um bálsamo gengival motivada pela presença de PLV na sua constituição. Os factos apresentados ilustram a dificuldade na implementação de evicção total de alergénios alimentares comuns, bem como a necessidade de melhorar a sua rotulagem, particularmente em produtos não alimentares. Neste caso particular, o facto de estarem identificados em língua estrangeira e não merecerem nenhum destaque relativamente aos outros ingredientes dificultou a sua identificação.

Palavras Chave: bálsamo gengival, APLV