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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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ALIMENTAÇÃO NO PRIMEIRO ANO DE VIDA: ALIMENTAÇÃO LÁCTEA E DIVERSIFICAÇÃO ALIMENTAR

FEEDING DURING THE FIRST YEAR OF LIFE: BREASTFEEDING, FORMULA FEEDING AND COMPLMENTARY FEEDING

Luis Pereira Silva. E-mail: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE.

-    Sessão de Formação para médicos e enfermeiros hospitalares e dos centros de saúde da Madeira, organizada pelo Serviço de Pediatria do Centro Hospitalar do Funchal.
-    Sessões de Formação para médicos e enfermeiros do centro de Saúde da Lapa, da vertente de Saúde Materna e Neonatal da respectiva Unidade Coordenadora Funcional.

Pelo menos até aos 6 meses de vida está recomendada a amamentação exclusiva. O leite humano tem vantagens nutricionais, como maior teor de seroproteínas de fácil digestão, de α-lactalbumina, 98% dos lípidos são triglicéridos e contém lipase, lipoproteina lipase e amilase; vantagens imunológicas e anti-infecciosas, como elevada concentração de latoferrina e de Ig A secretora e de células vivas ativadas contra bactérias; vantagens biológicas, como LC-PUFAs ω-3 e ω-6, oligossacáridos, anti-oxidantes (β-caroteno, vitaminas C e E, Se, glutationa peroxidase), nucleótidos, vitamina A, fatores de crescimento e hormonas.

Na indisponibilidade de amamentação, existem disponíveis fórmulas lácteas que na sua composição se têm aproximado do leite humano, incluindo o teor quantitativo e qualitativo da proteína e a suplementação com nutrientes funcionais.

A partir dos 6 meses, período crítico do crescimento e neurodesenvolvimento, o volume ingerido pelo lactente amamentado torna-se insuficiente para suprir as necessidades em energia, proteína, Fe, Zn e vitaminas lipossolúveis

A maioria das práticas e normas orientação sobre diversificação não é baseada em evidência científica, sendo muito guiada pelo empirismo e influência cultural, sociolaboral e económica e havendo grande variabilidade entre países e povos. A ESPGHAN (2008) recomenda a amamentação exclusiva até aos 6 meses e o início da diversificação não antes das 17 semanas nem após as 26 semanas de idade.

Uma diversificação demasiadamente precoce é inadequada por vários motivos: imaturidade digestiva, incluindo reduzida capacidade gástrica, limitada secreção de enzimas pancreáticas, ácidos biliares, hormonas e neurotransmissores digestivos; imaturidade do sistema imunológico intestinal, com aumento da permeabilidade a macromoléculas, diminuição da acidez gástrica e da concentração de IgA secretora; limitada resposta à sobrecarga de soluto renal; e imaturidade psicomotora, podendo ainda ter o reflexo extrusão da língua e pouca coordenação e desempenho motor oral.

A introdução de novos alimentos deve ser progressiva, usar d preferência a colher e optar por alimentos acessíveis, pouco dispendiosos, do agrado da criança e não adicionar sal nem açúcar.

Existem períodos muito precoces sensíveis para aprendizagem dos sabores, desde o sabor do líquido amniótico, passando pelo sabor do leite materno e o paladar nos primeiros meses de vida. Assim, deve ser promovida a mamentação e uma alimentação variada as gestantes e lactantes.