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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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QUISTO RENAL COM DIAGNÓSTICO PRÉ-NATAL

Sofia Morão1, Dinorah Cardoso2, Filipe Catela Mota2, João Pascoal1

1 Serviço de Cirurgia Pediátrica do Hospital de Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, EPE
2 Unidade de Urologia Pediátrica, Serviço de Cirurgia Pediátrica do Hospital de Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, EPE

- XIV Simpósio Associação Portuguesa de Urologia – Fronteiras em Urologia, Tróia, 28 a 30 de Outubro 2016. (Poster)

Introdução: Os quistos renais simples são raros nas crianças embora sejam cada vez mais diagnosticados devido ao uso rotineiro da ecografia. Normalmente são assintomáticos, constituindo achados incidentais durante a investigação ecográfica pré-natal ou por outros sintomas do aparelho urinário. O seu diagnóstico é feito através de características radiológicas típicas (Categoria 1 da Classificação de Bosniak), com função renal normal e exclusão de outras patologias renais e sistémicas. A evolução do quisto renal detectado no período pré-natal é geralmente benigna e transitória sem necessidade de intervenção, sugerindo uma fisiopatologia diferente do quisto renal pós-natal. Se sintomáticos ou aumento progressivo de suas dimensões passam a necessitar de intervenção cirúrgica: marsupialização ou quistectomia, por laparotomia ou laparoscopia. Raramente é descrita a aspiração percutânea guiada por ecografia com ou sem instilação de um agente esclerosante. 
Objectivo: Apresentar um caso clínico de quisto renal com diagnóstico pré natal, realçando a importância do controlo imagiológico e as vantagens da laparoscopia na sua abordagem.
Material e métodos: Criança do sexo feminino, com 3 anos de idade, saudável, referenciada ao nosso Centro por quisto renal cortical, diagnosticado no segundo trimestre de gestação, com necessidade de cirurgia por aumento progressivo e compressão de estruturas adjacentes.
Resultados: A avaliação ecográfica às 26 semanas de gestação mostrou quisto renal esquerdo com cerca de 8.2 x 10.5 x 5.8 mm, no 2º mês de vida as suas dimensões eram com 2.5 x 2mm, no 6º mês houve um aumento volumétrico e ao ano de idade o quisto tinha 4.5 x 3.6 mm. Aos 18 meses, o quisto apresentava 50 mm de maior diâmetro, parede fina, sem espessamentos parietais, nódulos, vegetações ou septos; o Doppler foi normal bilateralmente. Seis meses depois, o renograma MAG3 com prova diurética revelou simetria funcional renal com amputação funcional da metade inferior do rim esquerdo. A função renal e tensão arterial eram normais. Aos 3 anos, o rim direito media 6.5 cm e o esquerdo 8.5 cm; o quisto media 62 x 50 x 56 mm. A uro-RM mostrou que o quisto condicionava moldagem e desvio anterior do bacinete e grupos caliciais médios e inferior, sem comunicação com o sistema excretor intra-renal. Por laparoscopia (portas 10 x 5 x 5 mm), realizou-se abertura do quisto com aspiração de pequena quantidade de líquido claro, seguida da sua excisão parcial com cauterização do seu leito, sem intercorrências no intra e no pós-operatório. O exame anatomo-patológico confirmou o diagnóstico de quisto renal simples. No seguimento, a ecografia aos 3 meses de pós-operatório, mostrou quisto residual com 20 mm de maior eixo.
Conclusão: Nas crianças, os quistos renais simples normalmente têm um crescimento lento. Por outro lado, o ritmo do crescimento é maior assim como as complicações são mais frequentes nas crianças mais novas e nos quistos maiores. Assim, o seguimento ecográfico regular é muito importante, principalmente nos primeiros 2 anos de vida. Quando indicado, o tratamento dos quistos renais por abordagem laparoscópica é simples e eficaz, com todas as vantagens da cirurgia minimamente invasiva.

Palavras-chave: quisto renal; diagnóstico pré-natal; cirurgia