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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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PROVA DE BRONCODILATAÇÃO: DEVER-SE-Á REALIZAR INDEPENDENTEMENTE DO VALOR BASAL DE FEV1?

Nicole Pinto1, Joana Gomes Belo1, João Gaspar Marques1,2, Isabel Peralta1, Sara Serranho1, Nuno Neuparth1,2, Pedro Carreiro Martins1,2, Paula Leiria Pinto1,2

1- Serviço de Imunoalergologia, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE, Rua Jacinta Marto, 1169-045, Lisboa, Portugal
2- CEDOC, Integrated Pathophysiological Mechanisms Research Group, Nova Medical School, Campo dos Mártires da Pátria, 130, 1169-056, Lisboa, Portugal

Reunião Nacional
- 37ª Reunião Anual da Sociedade de Alergologia e Imunologia Clínica, 7 a 9 de Outubro, 2016
- Apresentado sob forma de poster

Resumo:
Introdução: De acordo com as recomendações internacionais GINA, a asma parcialmente controlada associa-se a uma maior variabilidade na função pulmonar do que a asma controlada. Uma variabilidade excessiva pode ser identificada através da prova de broncodilatação (BD), podendo esta ser rotineiramente efectuada independentemente do valor de FEV1 basal. A evidência acerca de que parâmetros espirométricos se associam a uma prova de broncodilatação positiva é escassa. 
Objectivo: Avaliar a sensibilidade e especificidade do FEV1 basal reportado em percentagem do previsto (FEV1%) e da razão FEV1/FVC, na discriminação dos doentes com prova de BD positiva. Adicionalmente pretendeu-se determinar o melhor ponto de corte do FEV1% basal e da razão FEV1/FVC para uma prova de broncodilatação positiva. 
Métodos: Realizou-se um estudo retrospectivo no qual foram incluídos doentes em idade pediátrica (6-17 anos), avaliados no nosso Serviço por espirometria com prova de BD, entre Janeiro de 2013 e Junho de 2015. Uma prova de BD foi considerada positiva se houvesse um aumento de 12% do FEV1 após administração do broncodilatador. A sensibilidade, especificidade e pontos de corte foram calculados através da análise das curvas ROC para o FEV1% basal (Equação de referência: Global Lung Initiative 2012) e razão FEV1/FVC.
Resultados: Foram incluídos 362 doentes, com uma idade média de 12,6 anos (DP: 2,9), a maioria do sexo masculino (68%). As médias do FEV1% e da razão FEV1/FVC foram de 96,3% (DP: 14,4%) e 0,81 (DP: 0,08), respectivamente. O FEV1V1% apresentou uma área abaixo da curva (AUC) de 0,76, e o seu melhor ponto de corte foi de 88,4% (sensibilidade de 56,5% e especificidade de 83,3%). Para a razão FEV1/FVC a AUC foi de 0,89, correspondendo ao ponto de corte de 0,78 (sensibilidade de 83,7% e especificidade de 84,1%).
Conclusão: Na nossa amostra, a razão FEV1/FVC demonstrou ser mais precisa na discriminação dos doentes com uma prova de broncodilatação positiva do que o FEV1% basal. Em idade pediátrica, uma razão FEV1/FVC superior a 0,78 poderá dispensar a realização de prova de broncodilatação.

Palavras Chave: Asma, broncodilatação, Criança