imagem top

2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

CHULC LOGOlogo HDElogo anuario

INFECÇÃO POR H1N1 NUMA UNIDADE DE CUIDADOS INTENSIVOS PEDIÁTRICOS

Susana Abreu1, Marta Oliveira2, Raquel Ferreira2, Vera Brites2, Gabriela Pereira2, João Estrada2, Margarida Santos2

1 - Serviço de Cardiologia Pediátrica. Hospital de Santa Marta, Centro Hospitalar de Lisboa Central EPE, Lisboa
2 - Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos, Área da Mulher, Criança e Adolescente. Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE, Lisboa

Divulgação: XIX Reunião da Sociedade de Cuidados Intensivos Pediátricos. Coimbra. 25/05/20I6. (poster)

Resumo:
Introdução: Em 2009 a OMS identificou uma nova estirpe de Vírus Influenza (H1N1) que apresentou. relativamente à gripe sazonal. maior repercussão na população pediátrica. A maior pane dos indivíduos apresenta formas ligeiras de doença. estando contudo descritas complicações associadas a elevada morbimortalidade e a uma maior necessidade de hospitalização em unidades de cuidados intensivos pediátricos (UCIP).
Objetivos: Analisar características demográficas, clínicas e analíticas dos doentes admitidos na UCIP do Hospital Dona Estefânia, com infecção a H1N1, no período de 2009 a 2016. 
Metodologia: Estudo observacional retrospetivo com análise estatística descritiva. Foram analisados todos os doentes admitidos na UCIP com pesquisa de H1N1 positiva (método rtPCR). Estudaram-se as variáveis: uso. idade. proveniência. manifestações clínicas. alterações analíticas. comorbilidades. estado vacinai duração de internamento. complicações. terapêutica e mortalidade.
Resultados: Avaliados 20 doentes, com idade média de 5,9 anos (1 mês - 18 anos), sendo 12 do sexo masculino. Verificou-se um maior número de internamentos em 2009 (4), 2011 (5) e 2016 (8) com predomínio no mês de janeiro (8). Metade dos doentes foram transferidos do mesmo hospital (25% do SU e 25% de enfermarias). As manifestações mais frequentes foram a febre (19) e a sintomatologia respiratória (17). Apenas 5 doentes tinham contexto epidemiológico e nenhum tinha efetuado a vacina anti-influenza. Os motivos de admissão na UCIP foram maioritariamente de causa respiratória (17), cardiovascular (6) e neurológica (2). Dos doentes admitidos, 14 tinham patologia crónica. As alterações analíticas mais frequentes à admissão foram anemia (11), linfopenia (10) e trombocitopenia (8). O padrão pulmonar radiográfico predominante foi um infiltrado intersticial bilateral (9). As complicações mais frequentes foram do foro respiratório. nomeadamente pneumonia bacteriana (7). pneumotórax (8) e ARDS (2). Ocorreu falência de órgão em 60% dos doentes (respiratória 7; cardiovascular 4; hematológica 3 e neurológica 2). Houve necessidade de suporte ventilatório em 16 doentes (invasivo em 11). de suporte aminérgico em 5 e de ECMO em um. Dezanove doentes fizeram terapêutica na UCIP com oseltamivir. Verificaram-se 3 óbitos, todos em 2009, em doentes com comorbilidades.
Discussão/ conclusão: O maior número de doentes verificou-se em 2009 e 2016. Todos os óbitos ocorreram em crianças com patologia subjacente. No ano de 2016 as complicações severas ocorreram maioritariamente em crianças saudáveis. A presença de comorbilidade na idade pediátrica influencia de forma significativa a gravidade desta doença e chama a atenção para o cumprimento da recomendação da vacinação pela DGS.

Palavras Chave: Influenza, H1N1, Cuidados Intensivos Pediátricos.