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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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INFECÇÃO GONOCÓCICA EM IDADE PEDIÁTRICA: QUE REALIDADE?

Joana Simões1; António Marques2; Margarida Pinto3; Maria João Brito1

1- Unidade de Infecciologia Pediátrica, Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, EPE, Lisboa
2- Equipa Fixa de Urgência, Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, EPE, Lisboa
3- Laboratório de Microbiologia, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, EPE, Lisboa

- Reunião nacional – 17º Congresso Nacional de Pediatria
- Publicação sob a forma de resumo
- Publicação sob forma integral – E-poster

Resumo:
Introdução e Objectivos: Em Portugal, a infecção gonocócica continua a ser prevalente na população adolescente, mas é também causa de doença neonatal e pediátrica. O objectivo deste trabalho foi caracterizar a infecção gonocócica num hospital pediátrico terciário.
Métodos: Estudo descritivo em crianças/adolescentes com infecção por Neisseria gonorrheae, entre Janeiro de 2012 e Junho de 2016. Foram analisados dados demográficos, fatores de risco, clinica e terapêutica.
Resultados: Total de 41 casos, 37 (90,2%) por transmissão sexual com mediana de 16 anos e predomínio do sexo masculino (83,7%). A clínica cursou com uretrite (31) e vulvovaginite (5). Em 13/37 (35,1%) registou-se co-infecção por Chlamydia spp (10), sífilis (1), HPV (1) e Trichomonas (1). O exame directo dos exsudados foi positivo em todos os casos, medicados com ceftriaxone (35) ou cefixime (2) e para outras infecções com azitromicina (29). Foram seguidos 92% doentes. Em 5 casos houve reinfecção e em nenhum havia registo de orientação dos contactos. Dois casos associaram-se a abuso sexual (adolescente de 14 anos e criança de 4 anos). Registou-se ainda um caso de conjuntivite gonocócica neonatal sem profilaxia cuja gravidez tinha sido vigiada e três casos por contacto íntimo não sexual na primeira infância (1 – 4 anos) todos medicados com ceftriaxone. A notificação de doença obrigatória está registada em apenas 19/41 casos (46,3%). 
Conclusões: A infecção gonocócica é das mais notificadas em Portugal (116 casos em 2013) sendo fulcral a implementação de estratégias eficazes de prevenção na adolescência. O serviço de urgência é o local de eleição para a oportunidade terapêutica, mas o acompanhamento destes doentes e contactos é mandatório. A DDO não deve ser esquecida e pode intervir na epidemiologia da doença.

Palavras Chave: Infecções sexualmente transmissíveis, Neisseria gonorrheae, Adolescência, Conjuntivite gonocócica, Doenças de declaração obrigatória