imagem top

2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

CHULC LOGOlogo HDElogo anuario

HIPERTRIGLICERIDÉMIA GRAVE ASSOCIADA A CETOACIDOSE DIABÉTICA: DESAFIOS DE UMA APRESENTAÇÃO ATÍPICA

Margarida Alcafache1, Inês Salva1, Anaxore Casimiro1, José Nona1,2, Inês Silva3, Gustavo Queirós3, Ana Laura Fitas4, Margarida Santos1

1 - Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos, Área da Criança e Adolescente, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central. EPE, Lisboa
2 - Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais, Maternidade Dr. Alfredo da Costa, Área da Criança e Adolescente, Centro Hospitalar de Lisboa Central. EPE, Lisboa
3 - Serviço de Pediatria, Hospital Vila Franca de Xira, Lisboa
4 - Unidade de Endocrinologia, Área da Criança e Adolescente, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central. EPE, Lisboa

17' Congresso Nacional de Pediatria (publicação sob a forma de poster com discussão)

Resumo:
Introdução: A cetoacidose diabética (CAD) é a forma mais frequente de apresentação de diabetes mellitus tipo 1 na criança. Raramente, pode complicar-se por hipertrigliceridémia grave (triglicéridos>1000mg/dL), provavelmente relacionada com a deficiência insulínica e o consequente aumento de ácidos gordos livres circulantes, captados pelo fígado para produção de lipoproteínas de muito baixa densidade (VLDL).
Relato de caso: Apresentamos o caso de um adolescente de 16 anos, com antecedentes pessoais de uveíte anterior crónica e quadro arrastado de polidipsia e poliúria, com cetoacidose grave no contexto de diabetes mellitus inaugural de apresentação atípica - associada a hipertrigliceridémia grave (11.021 mg/dL). Demonstrou ser um caso de dificil estabilização, com alteração do estado de consciência, instabilidade hemodinâmica e insuficiência renal pré-renal com necessidade de hemodiafiltração. A dislipidémia grave. mantida até ao 5ºdia de internamento. resultou num fator de interferência na determinação sérica de eletrólitos, dificultando a interpretação dos resultados obtidos.
Conclusões: Com este caso pretendemos relembrar a dificuldade na abordagem inicial da CAD grave. nomeadamente pela interferência lipídica na determinação de eletrólitos e glicose, que pode condicionar atrasos no diagnóstico (pseudo-normoglicémia). O tratamento da hipertrigliceridémia inclui a fluidoterapia endovenosa e insulina, próprios da abordagem da CAD, com resolução em alguns dias na maioria dos casos. Esta alteração implica um risco aumentado de pancreatite aguda e edema cerebral, pelo que o seu rápido controlo é imperativo. Discutem.se atualmente possíveis defeitos genéticos do metabolismo lipídico que possam condicionar esta forma greve de apresentação de CAD.

Palavras Chave: Hipertrigliceridémia, cetoacidose diabética