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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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HEMANGIOMA HEPÁTICO MULTIFOCAL: UM FELIZ ACHADO OCASIONAL? – CASO CLÍNICO

Ema Santos1,2; Carla Pilar1; Filipa Freitas1; Fátima Alves1; Rui Loureiro3; Filomeno Paulo Gomes1

1. Serviço de Cirurgia Pediátrica, Hospital Central do Funchal
2. Serviço de Cirurgia Pediátrica, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE, Lisboa;
3. Serviço de Imagiologia, Hospital Central do Funchal

- Congresso Anual da Sociedade Portuguesa de Cirurgia Pediátrica, Lisboa, 2016 (poster com apresentação oral)

Introdução: O hemangioma hepático infantil (HHI) é o tumor hepático benigno mais comum na infância. Na sua maioria são encontrados nos primeiros 2 meses de vida. São classificados em três categorias: focal, multifocal ou difuso. Tipicamente, seguem a mesma história natural que os hemangiomas cutâneos, regredindo durante a infância. Apesar de lesão benigna pode estar associada a insuficiência cardíaca congestiva e hipotiroidismo, causando morbilidade significativa ou mortalidade.
Caso clínico: Recém-nascido, sexo masculino, 24 dias, trazido ao Serviço de Urgência por vómitos em jato não biliosos pós-prandiais com dois dias de evolução. Pela suspeita de estenose hipertrófica do piloro (EHP), realizou ecografia abdominal que revelou alterações ecográficas compatíveis com EHP. Como achado ecográfico, identificou-se hepatomegalia com ecoestrutura heterogénea por múltiplas formações nodulares hipoecogénicas, dispersas por todos os lobos hepáticos, tendo sido colocadas as hipóteses de hemangioma hepático infantil, metastização hepática ou outro tumor primitivo. Da avaliação analítica realizada, destaca-se: enzimas hepáticas, provas de coagulação, função tiroideia e alfa-fetoproteína dentro dos valores de referência. A ressonância magnética abdominal revelou múltiplas formações hepáticas de dimensões variadas, hipointensas em T1 e hiperintensas em T2, com comportamento dinâmico hipervascular, compatíveis com hemangioma infantil multifocal. No segundo dia de internamento, foi submetido a piloromiotomia extramucosa sem intercorrências. No 4º dia de internamento, após ecocardiograma e electrocardiograma sem alterações, iniciou terapêutica com propranolol em dose crescente até 2,8 mg/Kg/dia, com boa tolerância. A reavaliação ecográfica, às 3 semanas de terapêutica com propranolol, demonstrou evolução favorável, com regressão numérica e volumétrica das múltiplas lesões hepáticas. Ecografias às 8, 17 e 24 semanas de tratamento com propranolol, confirmam hemangioma hepático multifocal em regressão.
Conclusão: A utilização de exames de imagens apropriados e a colaboração de uma equipa multidisciplinar é essencial para o diagnóstico e seguimento do HHI. O propranolol demonstrou ser um fármaco valioso no tratamento do HHI.

Palavras-chave: Hemangioma hepático multifocal; propranolol